2.03.2010

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Tive esta noite um dos sonhos mais maravilhosos de toda a minha vida.

Não sei como nem por obra e graça de quem, encontrava-me na mais paradisíaca paisagem que alguma vez poderia imaginar. Só em sonhos possível, na verdade. A terra que pisava era da macieza do veludo e a sua cor a do pêssego maduro. Era também do pêssego o seu perfume, o odor de uma deliciosa salada de pêssego e melão.
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Inebriado, embrenhei-me naquele vale. Como qualquer miúdo deixei-me escorregar até ao fundo. AÍ, eram de amoras maduras a cor e o perfume. Sôfrego, sonhei comê-las e rebolar-me naquela suave e densa vegetação a que as copas das árvores emprestavam uma sombra misteriosa.
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Saciado, sonhei que, à falta de um cigarro, urinei de encontro a uma árvore que pareceu estremecer agradecida.
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No frio que fez esta noite, acordei gelado. Tinha mijado a cama toda.

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Ernesto

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1.07.2010

A Nini e a Loulou andam muito preocupadas com a sua reputação. Que as pessoas amigas que vêm visitá-las são pessoas de muito boas famílias e, assim sendo, elas as duas não podem continuar nesta vida. Têm que largar isto antes que os outros percebam. A Nini já anda à procura de emprego e diz ter preferência por uma livraria e, se possível, uma livraria onde se venda também música. Diz que vai tentar na Fnac, na seccão de música clássica ou na livraria também na seccão dos clássicos.

Para começar, que é como quem diz, para acabar com o negócio, pediram a um cliente (que dizem ter sido o último), pediram-lhe que pregasse uma tabuleta à entrada da casa, a fim de não ficarem envergonhadas quando oa casais amigos viessem visitá-las.



Entretanto a madama Liliana desde o Natal não parou de comer. Arroz doce, fatias douradas, sonhos, farófias, queijo da serra partido em brutas fatias e perú em grandes bocadões que ia buscar ao frigorífico. Foi quase tudo só para ela. Bom-.....-bons nem se fala:

-Onde estão os Mon-Chérie? E os Ferrero Rocher? Quase sempre já os tinha comido todos ou então estavam as caixas debaixo da cama, ao pé do penico. Que ela sem o penico não passa.

Há uns anos fui passar uns dias à terra da minha mãe e nunca me esqueci de um carro de bois que estava parado no caminho e um dos bois a mijar. O barulho do mijo a cair no chão de terra era igual ao dela à noite a mijar para o penico. Tão igual como se fossem gémeos.

Ontem, dia de reis, continuou a enfardar como fez desde o dia de Natal. Meteu naquela boca tanto bolo-rei como se fosse lenha para o forno de cozer o pão. Saí para comprar hortaliça e batatas para fazer o caldo verde. Quando voltei ela estava estendida no chão.
Uma trombose.

Não resistiu.
Paz à sua alma.

Agora, com as coisas neste pé, não sei bem como vai ser. Se for preciso candidato-me à policia. Disse-me uma amiga que já lá ingressou, que estão a meter pessoal feminino e que eu, que sempre pratiquei ginástica e até ganhei competições, me safarei facilmente com as provas físicas, que são o mais difícil.

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Alice

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12.20.2009

O tremor de terra da semana passada trouxe-me inesperadas recordações.
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Foi há quarenta anos, estava-se no final de Fevereiro e eu e a minha defunta passávamos a primeira noite numa casa no campo que o meu patrão, um gajo muito porreiro, nos tinha emprestado por uma semana para a nossa lua de mel.
Era a meio da noite e estávamos no pinocanso, que ela era também danadinha para a brincadeira, e, estando ela a vir-se que parecia uma contorcionista (a atingir o orgasmo, como diz agora o maralhal dado à leitura e à cultura) estando ela, vamos lá, a atingir o tal de orgasmo, começa a casa a abanar toda por todos os cantos, forte forte, cada vez mais forte. E ela a gritar debaixo de mim:
-Ai Ernesto, ai que bom, ai que nunca foi assim, ai que sinto tudo a abanar, ai que parece que me foge a cama debaixo do cú, ai, ai, ai que me estou a vir, aaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
A seguir ficou parada a ofegar e caíu no sono.

Levantei-me, acendi um cigarro e percorri a casa. Apanhei os livros que tinham caído das prateleiras da estante e fechei as portas dos móveis da casa de jantar que estavam escancaradas. Depois deitei-me. Foi o sismo mais forte de toda a minha vida.

Não quis desiludi-la e não lhe disse que o que ela tinha sentido fora o tremor de terra, mas, durante o resto da semana, percebi que ela andava à espera de ter outros orgasmos iguais àquele.
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Ernesto

12.01.2009

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O velhote não anda bem. Fisicamente parece estar na .maior. mas anda deprimido, pensativo e, o que ainda mais me preocupa é já ter dado com ele, por duas. ou .três. vezes, sentado na sala gesticulando com.. ar.. zangado.. e.. parecendo. ralhar .com. a. braguilha das calças.

Não, não me parece .que .ele .ande. bem.. Acho-o muito ensimesmado.
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E, coitado, ainda ele não sabe que as outras duas, lideradas pela madame, estão a tratar de metê-lo num lar para a terceira idade.

Pudesse eu, e bem me punha a mexer daqui para fora levando-o comigo.

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Alice.

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11.14.2009

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SÁBADO DE MANHÃ !
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LIVRE, LIVRE ...
SÓZINHA NAS MINHAS ÁGUAS-FURTADAS
ENTRETIVE-ME A LER A

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REVISTA ELLE
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QUE ME ENCANTA !
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[a melhor do mundo !!!
depois da Bíblia, claro !]

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ATRAIU-ME UMA MODELO,
(linda de morrer!)
A EMILY DIDONATO

(que nome mais doce !)
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Muito jovem, tinha 1 de 3 ambições:
1) ir para freira;
2) ser modelo;
3) ser hospedeira da TAP.

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Não alcancei nenhuma...
1) não rezei o suficiente...
2) não tinha as medidas correctas...
3) casei (
não eram permitidas casadas como hospedeiras).
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LINDA, ESTA MODELO !
E QUE COINCIDÊNCIA !
[ando com uma data delas...
por ex., o meu velho carro empanou na rua do meu antigo namorado!]
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ELA NASCEU NO MESMO DIA QUE EU !
24 DE FEVEREIRO !
E JÁ VEM NA WIKIPEDIA !!!

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http://en.wikipedia.org/wiki/Emily_DiDonato


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QUEM ME DERA SER ASSIM,

FAMOSA E LINDA !!!!!!!!!!!!!
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(Nini)
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11.02.2009

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(Eugénio Recuenco )
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Não, não vou enforcar o Saramago nem deitá-lo duma janela a baixo...
Eu cá não sou a Nini.
Rezo mas q.b.
Faço orelha mouca a Saramago
mas não o esfrangalho !
Mesmo tendo ele assumido que o comunismo falhou!
(cá na casa ainda temos tudo em comunidade...)
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Peço desculpa ao amigo Odisseus por ir usar os argumentos dele mas, tive de o fazer já que eu ligo mais ao Novo Testamento (este sim, e levou-nos à invenção da palavra «humano») do que à bíblia (embora a tivesse estudado, página a página na Comunidade Neocatumenal, por onde já andei e muito gostei...)

Aqui vai a sábia explicação que "roubei" ao amigo Odisseus


SARAMAGO E DEUS
Pouco falta para Saramago ser lançado à fogueira por ter afirmado uma verdade evidente: que a Bíblia é um "manual de maus costumes."

Esta afirmação é de uma verdade tão evidente, que só por ignorância, má fé ou ingenuidade se pode dizer o contrário.

Infelizmente, quase todos os que se dizem católicos, incluindo muitas luminárias que aparecem em público a dar palpites, nunca leram a Bíblia. Porque se a lessem sem preconceitos perceberiam que o Deus do Antigo Testamento não passa de um tiranete de uma tribo de beduínos.

É claro que, ingenuamente, ou por interesse, sempre poderão dizer os seguidores das religiões hebraico-cristãs que a Bíblia não pode ter uma leitura literal, que tem de ser lida como obscura,e até insondável, palavra de Deus que os pobres mortais não podem alcançar.

Curiosamente, são esses que entendem que as passagens da Bíblia mais agradáveis à sua consciência podem ser tomadas à letra, e que Cristo usou uma linguagem simples para ensinar os homens.

Mas vamos ao que lá está escrito para verifircarmos a razão de Saramago.

Desde logo, os direitos dos descendentes de Israel, isto é, de Jacob, isto é, toda a narrativa bíblica, assenta numa miserável fraude. Israel, industriado por sua mãe Rebeca, que o preferia ao outro filho Esaú, que, por sua vez, era o preferido do cego Isaac, seu pai, monta uma burla para enganar o pai, fazendo-se passar pelo irmão, cobrindo as mãos e o pescoço com uma pele de carneiro (pois o irmão era peludo) para obter do pai a benção a primogenitura e a benção que lhe davam o domínio sobre a família e o direito a dois terços da herança, que o pai destinara ao primogénito Esaú.

É sobre essa vigarice aprovada pelo Senhor que se constrói a casa de Israel e toda a narrativa bíblica.

Daí para a frente é um desenrolar de traições, de crimes e de burlas sobre as quais assentou o poder da casa de Israel, passando pela divisão em dois reinos, de Israel e de Judá, até ao fim da independência de ambos os reinos ( se é que alguma vez foram verdadeiramente independentes, e não foram sempre tributários de outros reinos, nomeadamente do Egipto).

Então aquele que é tido como exemplo de uma grande e bom rei, tão bom que dele descende Cristo, segundo os Evangelhos, é um exemplo de mau carácter a todos os títulos condenável. Afasta pela intriga os descendentes de Saúl, é pedófilo, assassino, injusto, entre um imenso rol de defeitos.

E, dizer-se que era um grande rei, é algo de ridículo. Israel, no seu período de maior expansão, nunca foi sequer do tamanho de metade de Portugal.

Mas basta citar duas passagens bíblicas para se perceber quanto o Deus dos Judeus é mau e cruel.

1ª Passagem: JOSUÉ, 6, 20-21:

" A CONQUISTA DE JERICÓ...as muralhas da cidade desabaram e os filhos de Israel subiram à cidade...

Tomaram a cidade e votaram-na ao anátema passando a fio de espada tudo o que nela encontraram: homens, mulheres, crianças, velhos, inclusivamente os bois, as ovelhas e os jumentos."

2ª passagem: DEUTERONÓMIO, 28, 15-27:

"Mas, se não escutares a voz do Senhor, teu Deus, se não praticares todos os Seus preceitos e as Suas leis, todas estas maldições virão sobre ti e serão tua partilha.Malditos serão o fruto das tuas entranhas, o fruto do teu solo, a prole dos teus touros e as crias das tuas ovelhas...

O Senhor enviar-te-á a peste...ferir-te-á com a consumpção, com a febre, com inflamações de toda a espécie...afligir-te-á com a úlcera do Egipto, com hemorróidas, com a sarna seca e húmida..."

Votar cidades ao anátema, para os Judeus era cumprir uma ordem divina.

As hemorróidas eram também um castigo divino.

É claro que se pode ler isto a uma luz insondável aos mortais.

Mas aqueles que não dispõem de qualquer sonda, aqueles que não vêem no túnel qualquer luz mas apenas hemorróidas, esses não poderão deixar de afirmar, se forem homens de pouca fé mas de bons princípios e bons costumes, que a Bíblia é um "manual de maus costumes

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Agora que ficámos todos bem esclarecidos, um beijinhos aos meus queridos Clientes e espero a vossa visitinha.

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Uma amiga ao vosso dispor

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LOULOU

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10.19.2009

Le 31 d' Octobre il fera cinq mois que j' ai revenu. Oh, ce que je le regrette! Dindon, ce qu' ils sont cons les portugais.
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À Paris c' était la décadance, ici à Lisbonne c'est la décadense.
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Liliane
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10.08.2009

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No passado fim de semana fiquei sozinho em casa. Todas elas quiseram ir votar e como nenhuma é de Lisboa e todas estão, estupidamente, recenseadas no local onde nasceram, abalaram na sexta feira à noite, aproveitando assim para estar dois dias com as famílias. A Liliana Carraças não quis votar e foi, a conselho da Nini que lhe disse ser muito bonito, visitar o Bom Jesus de Braga. Eu, que já me estou cagando para votações, não saí durante o fim de semana todo.

Estava muito descansado a ver um filme pornográfico dos muitos que a Loulou usa para ver se incentiva alguns dos clientes quando ouvi a campainha da entrada. No dia anterior tinha andado a ver montras na rua dos Fanqueiros e, ao abrir a porta, a primeira sensação que tive foi que dois manequins das montras da véspera, cada um de seu sexo, tinham, qual Pinóquio, ganhado vida e falavam comigo.

-Queira desculpar senhor, disse-me o homem, julgo saber que aqui se pode alugar um quarto e nós precisamos de sossego, sem que nos escutem. Lá onde moramos as paredes parecem ter ouvidos e nós queremos passar, pelo menos, uma noite descansados. O senhor não fará a fineza de nos permitir pernoitar cá?
Disse-lhe que sim e, porque me pareceu ter já visto aquelas caras na televisão, sendo por isso, talvez, pessoas importantes, levei-os ao andar de cima e aluguei-lhes o quarto da franciú, que é o melhor de toda a casa.


Quando me virei caí do sofá onde adormecera a ver a porcaria do filme. Mas que sonho mais parvo que tinha tido.

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Ernesto

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9.25.2009

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Soasig Chamaillard (clicar)
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É uma artista que eu percebo.
Desejosa de protecção divina,
com gosto em brincar,
não querendo chocar ninguém...
apenas brincar!
e
sabendo que a vida é feita de
coisas boas e coisas más.
De
Anjos da Guarda e de Anjos do Mal.
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Eu preciso de Anjos da Guarda que me ajudem a sair deste quotidiano coisificado e estéril.
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De regresso à rotina, voltei ao meu voluntariado na Paroquia do Cristo Rei de Algés.
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Sinto-me boa pessoa quando lá vou.
Desculpo-me de todo o mal que por este mundo vou fazendo...
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Soube-me bem .
Soube-me bem ler em casa a Folha Informativa que,
religiosamente sorvi como um bálsamo.

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Algés tem uma Paróquia forte e solidária que juntamente com a Junta de Freguesia vai tentando dar Vida aos jovens. No sábado passado houve uma Tertúlia ODM, no Palácio Ribamar sob o tema A Arte e os Objectivos do Desenvolvimento do Milénio (ODM) das Nações Unidas.

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Com diversas intervenções artísticas e a presença de conhecidos personalidades,

Sinto-me orgulhosa de a Minha Paróquia ter patrocionado semelhante iniciativa.

Não pude ir porque começaram a cair azulejos duma malfada parede da minha cozinha e, com ajuda de uma alma caridosa, lá tive de embalar toda a loiça, perdendo tal convivio.

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Se Deus mo permitir, na próxima semana lá estarei a ajudar.

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Nini

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9.14.2009

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As roupas cá de casa andam a precisar de arranjo. Os lençóis de tanta esfrega estão a ficar puídos e, até os nossos vestidos e roupas interiores precisam também de uns pontos, bem como camisas, cuecas e mais roupa do avô.
Comprar novo nem pensar. Se a Loulou e a Nini não gostam de abrir os cordões à bolsa, a madama franciú é ainda muito pior. Assim, resolveram pôr anúncio no jornal a pedir costureira para pequenos arranjos.

Com a falta de emprego que parece haver, pensei que aparecessem aí sete cadelas a um osso. Afinal, só apareceram duas concorrentes. Coitaditas, feias como os trovões.
Uma, por sinal, até a achei bem simpática. Já nada nova, rosto comprido e escalavrado, que Deus me perdoe, mas até pensei se não seria uma irmã ilegítima do defunto Cunhal.






A outra, oh Virgem Santíssima, então a mulher respondeu a um anúncio para pôr remendos! Deve ser mulher de fibra, para ser ainda capaz de pensar em remendos, costuras e pontos.

Quem as atendeu foi a madama mas achou que não serviam. Contudo pediu à mais idosa o contacto, para poder chamá-la, no caso de ninguém aparecer com mais aceitáveis habilitações de remendagem. Entretanto, quer que seja eu a fazer também de costureira. Com tudo o que tenho que fazer!? A mulher não está boa da cabeça.


.A ser assim, qualquer dia ainda me candidato a primeira ministra ou a presidenta da República, o que, de certeza, dá menos trabalho do que trabalhar numa casa destas.


Alice

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9.07.2009

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O avô Ernesto (não consigo tratá-lo de outra forma e gosto dele como se fosse da minha família), o avô Ernesto não tem andado bem.
Consegui convencê-lo a ir ao médico que, entre análises e outros exames o mandou fazer também um electrocardiograma com prova de esforço. Não julgava que se mandasse fazer tal exame a uma pessoa com esta idade mas, um médico que nos levou noventa euros por cinco minutos de consulta sabe com certeza o que anda a fazer.
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Ontem lá fui com ele fazer o ECG. À noite fui ao quarto levar-lhe o chá de tília que sempre lhe dou antes de deitar-se. Tem feito este grande calor e ele estava sentado em cuecas na cama. Estava de tronco nú e vi que para o exame lhe tinham rapado os pelos do peito.

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As maminhas de um rosado pálido trouxeram-me, subita e inesperadamente, recordações antigas há muito esquecidas. A imagem da Gelsomina (não era o nome dela, mas assim lhe chamávamos lá no bairro da lata por ser parecida com a rapariga de um fime chamado "A estrada" que tinha corrido lá no nosso grupo desportivo), a imagem da Gelsomina pareceu crescer de repente na minha cabeça. As maminhas do avô Ernesto eram iguaisinhas às dela quando, ainda a entrar na adolescência, nos realizámos as duas pela primeira vez.

Deixei o chá na mesa de cabeceira, dei as boas noites e fui a correr para o meu quarto. Foi como se ela estivesse ali comigo. Tínhamos as duas novamente quinze anos. Voltou a ser tão maravilhoso como quando era real e como nunca mais foi com ninguém até hoje.

Dormi profundamente até de manhã.
Como já não dormia havia muito tempo.
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Alice
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8.21.2009

Tenho consciência, mal de mim se não tivesse, tenho consciência de que já nao estou nova. Mas sei também que ainda me safo muito bem e, apesar de o corpo começar a apresentar imperceptíveis marcas da passagem dos anos, os olhares dos homens ainda me seguem quando passo na rua, o que, com o rítmo de vida que há actualmente, não é coisa de que muita mulher se possa gabar. Não só porque cada vez se "voa" mais pelas ruas da cidade sem tempo para ver o que se passa à nossa volta, mas também porque cada vez a paneleiragem é maior e os homens parecem olhar cada vez mais uns para os outros e cada vez menos para nós.
(Ultimamente tenho-me lembrado tanto do pobre do João e tantas saudades tenho sentido dele, que, contra minha vontade, por vezes me encontro a falar como ele falava. Será, talvez, uma forma inconsciente de lhe prestar homenagem. Pobre querido, apesar dos seus defeitos eu gostava muito dele).
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Bom, consciente de que os anos não perdoam, este ano resolvi fazer umas férias a sério e tratar de mim. E aqui estou: em Huelva, num maravilhoso SPA. Para mim, que não tirava férias há uma boa meia dúzia de anos isto é um autêntico Paraíso.



Um Paraíso onde não deixa de haver um pequeno diabo.

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Tenho todas as manhãs uma boa sessão de massagem. Toda nua, enrolada num lençol deito-..-me de costas para cima e desenrolo o lençol estendendo-o por cima de mim, da cintura para baixo. O massagista, um pequenote de pouco mais de metro e meio, trabalha muito bem e aquelas mãos suaves mas fortes fazem maravilhas no meu corpo.
Mas, logo no primeiro dia pareceu-me que havia ali um pequeno exagero no que fazia. Sendo a primeira vez que me via a fazer massagens, fiquei na dúvida. Mas ontem, bem, ontem não tive dúvidas, aquele safado daquele minorca debruçado sobre mim, como se isso fosse necessário para melhor fazer a massagem, encostava muito ao de leve o coiso bem rijo à minha anca.

Hoje mudei de horário e fiz a sessão com uma massagista. Mas aquilo não era massagem não era nada. Amanhã vou voltar ao horário do minorca. Minorca e bem minorca, que aquilo era rijo mas mais pequeno do que um lápis depois de muitas vezes afiado.

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LOULOU

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8.01.2009

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tirei dum "site" e inspirei-me...
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... inspirou-me ir de férias para Roma...
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A comédia romântica é um género que me encanta.
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É o caso deste “Roman Holiday – Férias em Roma”.
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Uma delícia de história !
(e eu que adoro histórias de principes e princesas...)
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Resumindo e baralhando:
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Realizado por William Wyler, e com
Audrey Hepburn
(sempre bela, sempre intemporal...)
no papel de Ann, uma jovem princesa entediada com as obrigações exigidas pela sua posição social.
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Numa pequeníssima sinopse da história, a sua estadia em Roma acaba por andar à volta das peripécias das suas aventuras a partir de uma sua escapadela nocturna, em que se propõe fazer o que sempre sonhou, com a ajuda de Gregory Peck (no papel de Joe Bradley), um jornalista que procura nestes encontros e desencontros uma entrevista (secundado por um seu amigo fotógrafo) que poderá vir a ser a solução para as suas dificuldades materiais.
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Nunca esquecerei a cena da "vespa" ...

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e
foi esse o 'clic' que me fez escolher Roma.
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Roma, cidade eterna ...
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Talvez encontre um príncipe que me leve assim,
de mota e em liberdade,
por essa cidade rosa e quente.
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com uns trocos

(de horas extraordinárias feitas à pressa)

imitei-os e

vou para Roma !

Arrivedeci !

(nini)

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7.22.2009



Não bastava a Loulou com a mania da crise e das poupanças, agora também madame Liliana Carraças, que continua a fazer que não me conhece:
- Oiça Ernesto, com a sua reforma e com o que o João lhe deixou, você pode muito bem pagar a sua comida e as outras despesas que faz na casa.
Não deixa de ter razão e, assim, resolvi ir comprar para mim meio frango assado à loja aqui da rua.
Já era hora do jantar e ao chegar estavam umas sete ou oito pessoas em fila, à espera. Chegavam quase até à porta. Lá dentro um calor insuportável. Pus-me na bicha à espera. A caminho dos noventa anos custa-me um bocado estar assim de pé, mas enfim.

Nisto, mesmo à porta pára um carro em cima do passeio. Música em altos berros, um preto luzidio ao volante e sai do carro uma preta. Prenhe de fim de tempo, uma barriga que parecia trazer lá dentro a África inteira. Chega à porta entra direita ao balcão e diz ao homem que assava os frangos:
- Sinhor, estou grávida, tenho "prioridade". O homem dos frangos olhou para o carro onde o preto fumava refastelado e respondeu calmamente:
-Tem sim, se lha derem.
Ela olhou-nos um por um. Todos a olhámos de frente e ninguém falou. Foi para o fim da fila.


A música continuava a ouvir-se, bem alta, vinda do carro onde o homem continuava a fumar.
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Enquanto em casa comia o meu meio frango com as batatas fritas não consegui deixar de pensar no que se passara. Teria havido ali um bocado de racismo da nossa parte? Teria havido da parte dela e do marido um quererem aproveitar-se da gravidez? Porque não ficou ela no carro e não foi ele comprar o frango?
Não sei.
Já não percebo nada.

Quando saí estava ela a dizer o que queria levar. Tive que passar pela rua porque o carro em cima do passeia não dava passagem. A música continuava em altos berros.

Ernesto
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7.05.2009

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"Intimations of Immortality

from Recollections of

Early Childhood" ...

(de William Wordsworth)

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Nele um poema, que desde sempre me marcou ... :
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'A luz que brilhava tão intensamente
Foi agora arrancada dos meus olhos,
E embora nada possa devolver os momentos
De esplendor na relva e glória nas flores,
Não sofreremos, melhor,
Encontraremos força no que ficou para trás
.'

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Por mero acaso senti...........

a actualidade do tema

(tão bem aproveitado por Elia Kazan...)
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Por mero acaso revi-o
há pouco ...
deliciada e comovida.........

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no meu dia de folga......................................

cá na "Casa" !

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6.23.2009

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Estou farta. Ela parece apostada em chatear. Ainda nem há um mês que chegou e julga-se dona e senhora de tudo e de todos: -Onde está o roupão que lhe dei ontem para lavar? Quero aquela sanita todos os dias lavada com lixívia e o bidé também. Oiça lá, então com este calor fez caldo verde! Já lhe disse que quero gaspacho bem gelado durante os meses de verão!, este país, na verdade é uma desgraça, para que é que eu vim. Estava tão bem onde estava. (Nem quero pensar o que o meu Béu-Béu vai sofrer quando aqui estiver, habituado a tudo o que ele lá tinha). E oiça, não deite o azeite, ponha na mesa o galheteiro que eu trouxe de Paris, que o azeite ponho eu na altura, a meu gosto.



Eu tinha pão já duro e cheio de bolor para dar à senhora do rés do chão para as galinhas mas, sendo assim, lá resolvi aproveitar e fazer o tal gaspacho.
Fui ao mini comprar as outras coisas e já hoje comeu ao almoço e ainda há mais no frigorífico. Com bastante alho para disfarçar o gosto porque lhe fiz para dentro uma grande mija. Comeu e lambeu os beiços.

O gaspacho serve-se frio. A vingança também.

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E se ela pensa que vou aturar o cãozinho, está enganada. Ainda acaba por comê-lo assado no forno.

Alice

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6.09.2009

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Não tenho frequentado a Igreja.
Talvez por um certo pudor.
Pudor existente por ter contado tudo o que lá fazia !
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Sinto que Deus pode não ter gostado porque um
'anjo mau'
me parece perseguir.
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Eu vou contar:
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Quando soube que a
Lili Carraças vinha substituir o João,
deu-me uma coisa
e
decidi reformar-me.
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Acontece que, com a anuência da Loulou e da Alice,
continuei voluntária isto é:
continuei a fazer amor mas
gratuitamente
porque, afinal, é de trabalhar que gosto
e gosto deste trabalho.
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Meu dito, meu feito !
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E não é que o terceiro mundismo armado em informático/modernaço da
Segurança Social me caiu em cima !!!!!!
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por eu ser voluntária.
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Alegaram que eu acumulava situações:
a de voluntária e a de reformada.
Não podia ser!
E vão-me cortar parte da reforma.
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Voltei à Igreja mas já não sinto aquela Paz.
Além disso, montões de contrariedades me têm caido em cima!
Até o meu computador
(onde eu marcava os meus encontros voluntários, por mail, para assim poupar uns telefonemas) avariou !
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Um anjo mau!
O anjo mau, terrível, que me tem persegido!
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Preciso da cabeça descançada
e leio,
leio para distrair e
ao calhas deparei com este texto.........
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(ai o anjo mau, o anjo terrível !..............)
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PIERO DELLA FRANCESCA
(Tal qual os grandes mestres de seu tempo, Piero primou sempre pela criatividade em relação ao passado medieval ...........................................................)
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THE FIRST ELEGY.

Who, if I cried out, would hear me among

the angels hierarchies?


and even if one of them pressed me suddenly against his heart :

I would be consumed in that overwhelming existence.

For beauty is nothing but the beginning of terror,

which we are still just able to endure,
and we are so awed because it serenely disdains to annihilate us.

Every angel is terrifying. ...

(Rainer Marie Rilke)
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(nini)
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5.31.2009

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Eu e o velhote estávamos na cozinha quando a Nini nos foi pedir para irmos à sala. Fomos e ela disse que nos sentássemos: que precisava de falar connosco. Estava eu a pôr o cu na cadeira entrou a Loulou com uma curiosa criatura. O avô Ernesto que com o seu reumático estava a meio de se sentar ficou parado, pernas meio flectidas, o traseiro a um palmo do assento. Olhei-o e nunca eu tinha visto maior cara de espanto: os olhos e a boca completamente escancarados e, repentinamente deixou-se cair na cadeira. Disse-me ele depois que lhe tinham caído os tomates aos pés. Pelo sua expressão de sofrimento devem ser de chumbo e, de certeza que lhe aterraram mesmo em cheio em cima dos puídos chinelos.

A Nini e a Loulou, como se estivessem bem ensaiadas para um número de jograis, disseram em uníssono:
- Esta é Madame Lili.
- A partir de hoje vai ficar a tomar conta da nossa casa. Continuou a Nini.
- Mas, arrisquei eu, então não tinham dito que era um senhor que vinha?
- Não, dissemos que era alguém que vinha de Paris, nunca falámos num senhor, de qualquer modo, ainda virá outra pessoa fazer companhia a Madame Lili. Agora podem ir.


Levantei-me e olhei o velhote que, como que hipnotizado continuava sentado. Puxei-o pelo braço e levei-o, corredor fora, para a cozinha.
Durante largos minutos nada disse, depois, abanando lentamente a cabeça de um lado para o outro murmurou:

-A gaja está na mesma. E é quase da minha idade. Madame Lili, qual madame Lili, qual carapuça! Nasceu lá nas barracas, é a Liliana Carraças, a filha do Manel Carraças, que lhe chamavam assim porque ele esteve quase à morte por ter apanhado carraças quando brincava lá nos terrenos cheios de ervas.


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Só me faltava mais uma gaja cá na casa. Se esta Lili Carraças vem para cá com a mania das grandezas e a pensar que vai ter uma criada está muito, mas muito enganada.
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Alice
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5.24.2009

O novo homem da casa chegou. Raios o partam que não dormi nada a noite toda. Chegou e foi um não-parar de um lado para o outro durante horas, um arrastar de coisas e, parece-me pelo barulho que fez, que até a cama o gajo mudou de lugar. Para meu grande azar o quarto dele é mesmo por cima do meu. Depois do trabalho que eu tive a arrumar aquilo tudo, sim, que eu estava doente mas mesmo assim ainda trabalhei que me fartei, que as outras nada de jeito fazem. E agora vem aquele gajo e, em meia dúzia de horas desfaz aquilo que eu fiz!
As malas de viajem, não as levou para cima, que, a meio da noite levantei-
me para mijar e no hall tropecei nelas e dei um trambolhão que ainda estou à rasca dum ombro. Devem estar à espera que a escrava as leve. Devia vir cansado da viajem, mal empregado, se é disso que estão à espera, estão muito enganados, ele e as outras duas.
Levantei-me às sete da manhã sem ter pregado olho e, já passa da uma da tarde e ainda não apareceu cá em baixo nem se ouve o mais pequeno som. Pudera, toda a noite sem parar e agora está no choco. Quando sair eu lhe digo.

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Vou esperar para ver como param as modas e se o filme não me agradar dou de frosques, que é o que ando a pensar fazer já há muito tempo.

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Meu querido João, até parece que agora ainda sinto mais a sua falta, apesar de todas as suas manias e defeitos, que os tinha como toda a gente.

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Alice

5.12.2009

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Finalmente, está para breve a chegada da pessoa que vem tomar conta do negócio. Parece que será dentro de duas a três semanas. A Nini e a Loulou alugaram a casa que vagou por cima desta e lá ficará a pessoa em questão.
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A escrava da Alice, como era de esperar, é que andava a deixar tudo num brinquinho: a pintar paredes e tectos, a raspar soalhos e a arrastar móveis de um lado para o outro. Ouvia-se cá em baixo que eu nem podia fazer as minhas sestas descansado.
Mas, subitamente a rapariga adoeceu. Febre altíssima, dores no corpo todo, enfim, não tinha acção para nada. As outras duas, que além de abrir as pernas estão habituadas a nada mais fazer, andam pior que estragadas: a rapariga está de cama, pois foi ao médico e, vá-se lá saber como, tinha apanhado a gripe dos porcos.


Ernesto.
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5.01.2009

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Neste 1º de Maio....

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Dedico
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este YOUTUBEzinho
( eu que "morri" pelas
Marian Faithfull e Kate Moss),
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à minha Querida...
à minha colega de trabalho,
à minha LOULOU................
relembrando ...
as nossas noites sem Clientes........

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"... Le voir m'a fait me souvenir.
C'est vrai que nous nous aimons.
A partir de ce moment j'ai recommencé à desirer Tiène..."
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La Ville Tranquille
(Marguerite Duras)
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com um beijo...
NINI

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4.22.2009

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Quem não as conhecer que as compre!
Muito intelectuais, muito intelectuais, com o quarto cheio de livros de bons autores, atiram, mais ou menos a propósito, uma frase ou outra que decoraram em páginas ao acaso ou que ouviram aos velhinhos ex-políticos que cá vêm fingir que ainda conseguem fornicar, mas, o que elas lêm é só revistas do pseudo jet-set, que depois atiram para o meu quarto como se isto aqui fosse um caixote do lixo.

Pego numa porcaria destas ao acaso e o que fico a saber? Que é o homem-aranha que põe os ovos da páscoa!? Que lhe faça bom proveito ao uropígio, o que é que eu tenho a ver com isso?!
A gran-fina anda a levantar a saia? Faz ela muito bem que o frio já lá vai.
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Depois tenho que ser eu a separar esta tralha toda para os contentores, que elas misturam tudo: revistas com cascas de laranja e preservativos e latas de conserva com garrafas de cerveja e outras merdas.
Tenho mas é que me organizar e dar de frosques daqui para fora. Já ando a pensar nisto deste que o João morreu mas o que ainda aqui me prende é o velhote que, ou eu me engano muito ou elas querem dar-lhe a volta e ficar com o que o neto lhe deixou.

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Alice

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4.06.2009



Nunca se sabe quando uma grande amizade, uma amizade particular, vai acontecer. Por vezes basta um pequeno gesto de solidariedade...

E foi assim que, há mais de cinquenta anos, começou a minha amizade com o Libânio, amizade que ainda hoje perdura.

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Ernesto, o avô ......

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video


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3.25.2009

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Não sei ao certo há quanto tempo, mas, havia muito mais de um mês que eu não tomava banho. Neste Inverno tive tanto frio que só de pensar em meter-me na banheira ficava com pele de galinha e os pelos do corpo parecia até que ficavam em pé. Mas a semana passada o tempo aqueceu um bocado e a Alice lá me convenceu. Até me soube bem. E, mergulhado na água quente, sem querer os meus pensamentos começaram a caminhar e foram ter à minha tão distante noite de núpcias.
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Tinha entrado nuns assaltos que tinham rendido bastante e, para não passar a noite do casamento na barraca, lá no bairro da lata, resolvi levar a patroa e fomos para uma pensão bastante jeitosa ali em Almirante Reis. Ela lia muitos romances de amor que uma senhora muito fina onde ela trabalhava lhe emprestava e isso tornara-a muito romântica. Estávamos estendidos na cama, depois da primeira queca, e ela levanta-se, vai em direcção à janela e diz-me:
-Olha, Ernesto, é exactamente como nos romances que eu leio: na nossa noite de amor está lua cheia. E afastou a cortina da janela olhando para o céu.


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Coitadita, a desilusão que ela teve e o que ela chorou. Afinal era um candeeiro público que havia no prédio que emitia aquela grande bola de luz.
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Com uns beijinhos e umas festinhas lá a acalmei. Levei-a outra vez para a cama, demos ainda mais duas e pus-me a dormir, que eu tinha-lhe prometido que no dia a seguir, logo bem cedo, iria procurar emprego.

Foi há tanto, tanto tempo.

Estou velho...

Ernesto

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3.18.2009

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andrey rennev
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"He was born in the town of Yachroma nearby Moscow. This is a place on a hill, from which a perspective reminding Brueghel paintings opens.The crossed landscape with significant differences of heights, channel between the rivers Moscow and Volga, small rivers and springs, woods, fields and villages, the railway, an ancient town Dmitrov in the neighbourhood, ships going along the channel and trains overtaking them, and so on and so on… - all this he saw through a window of my house since his birth. The view was like a picture, which includes all the variety of the world. So he can say that for its inspiration impressions of his childhood and youths - beautiful nature and the non-ordinary people which surrounded him, are more important..." Não vale de muito procurar a companhia da Nini....

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(não tenho paciência para beatices...)

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Afinal o movimento, o punho de ferro com que o João conduzia a Casa deixava-nos livres das contrariedades, dos abusos de "chacun à sa place' , contabilidades e manutenções domésticas diárias.

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Nunca tive a mínima atracção pela vida caseira. A Casa serve para atender Clientes e, nos meus momentos de privacidade, prefiro ouvir música e ler poesia no meu quartito.

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Hoje foi um daqueles dias que nem 100 euros tive de ganhos e estou literalmente sem a mínima para aturar a Nini e muito menos o Ernesto e a Alice.

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Comprei um cd com o "Impressions" de John Coltrane e refugiei-me a ouvi-lo e a ler:

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CITY DUSK
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F. Scott Fitzgerald

(1896-1940)

,

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OME out . . . . out
To this inevitable night of mine
Oh you drinker of new wine,
Here's pageantry . . . . Here's carnival,
Rich dusk, dim streets and all
The whispering of city night . . . .

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I have closed my book of fading harmonies,
(The shadows fell across me in the park)
And my soul was sad with violins and trees,
And I was sick for dark,
When suddenly it hastened by me, bringing
Thousands of lights, a haunting breeze,
And a night of streets and singing . . . .
.
I shall know you by your eager feet
And by your pale, pale hair;
I'll whisper happy incoherent things
While I'm waiting for you there . . . .
.
All the faces unforgettable in dusk
Will blend to yours,
And the footsteps like a thousand overtures
Will blend to yours,
And there will be more drunkenness than wine
In the softness of your eyes on mine . . . .

.
Faint violins where lovely ladies dine,
The brushing of skirts, the voices of the night
And all the lure of friendly eyes . . . . Ah there
We'll drift like summer sounds upon the summer air . . . .

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("City Dusk" foi reimpresso a partir da Nassau Literary Magazine", de April de 1918)

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3.09.2009

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(Eugénio Recuenco)


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Eu nem queria acreditar !


Ia-me dando uma apoplexia...


ao ler as baboseiras do Ernesto.


Nem como velho se desculpa!
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Saí da Casa disposta a deixá-la e ir trabalhar por conta própria o que se torna difícil porque a crise chega a todos e seria complicado arranjar um poiso.

Apeteceu-me esbofeteá-lo!
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Para acalmar fui à Igreja.


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Bendita hora!


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Hoje, 2ª semana da quaresma o Evangelho da missa era de S. Lucas.. (o meu evangelista preferido) e, depois de ter assistido e participado em toda a cerimónia, a minha alma desanuviou de toda a raiva e asco que ele provocara em mim com as descrições gabarolas e sujas do dia dos seus anos.
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Nem de propósito !

O sr. Padre Manuel parecia que estava a falar para mim!
O Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, versava assim:


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"Perdoai e sereis perdoados"


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Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos "Sede misericordiosos, como o vosso Pai é mesericordioso. Não julgueis e não sereis julgados. Não condeneis e não sereis condenados. Dai e dar-se-vos-á : deitar-vos-ão no regaço uma boa medida, calcada, sacudida, a transbordar. A medida que usardes com os outros será usada também convosco."


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Disse ainda que " Um dos princípios do Cristianismo é amar ao próximo como a si mesmo. Ora, quando amamos verdadeiramente toda a gente que está ao nosso redor, não há espaço para a injustiça, para o julgamento, para o desrespeito. Na vida do cristão deve haver somente espaço para coisas boas, como o perdão, a misericórdia "


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Com tudo isto, regressei a casa , muda e queda e encerrei-me no meu quarto com um chá e uma aspirina.


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3.07.2009

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Francamente não percebo estas gajas! Se eu falo em broche ficam todas melindradas e ralham comigo. Elas falam em sexo oral, o que é exactamente do mesmo, e continuam impávidas e serenas como se estivessem a falar das sua leituras intelectuais.
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myspace layouts

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Bem, mas não era disto que eu vinha falar. Fiz ontem anos. Oitente e seis. Estava eu a descalçar-.. -me para me deitar quando a Loulou apareceu:
- Avô já passa da meia noite, é dia seis, já posso dar-lhe os parabéns e uma prendinha. Vá, Deite-.. -se. E deitou-se na cama ao meu lado.
Calhou bem que eu ando com dificuldade em adormecer e depois fiquei tão cansado que adormeci logo.

Hoje, para comemorar o aniversário, levaram-me as duas, outra vez, a um restaurante daqueles caros, como elas gostam. A almoçar.
-Porque não podemos perder outra noite de trabalho, disseram.

Estávamos muito bem quando de repente vejo a Loulou muito vermelha, olhos quase a sair da cara e a olhar fixamente a comida. Com voz esganiçada chamou o empregado e, quase a atirar-lhe com o prato, disse que tinha um cabelo.

Eu nem queria acreditar. Estou velho e quando tiro as cuecas, vêm com alguns pelos, pois caem- ..-me muitos. Ontem à noite na cama não pareceu incomodada e calmamente tirou dois ou três que lhe tinham ficado na boca. E eu já não me lavava no bidé havia uns três dias.

Como pode ter ficado tão incomodada com um inocente cabelo caído no prato?

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Ernesto

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2.26.2009

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A Loulou e a Nini, que mesmo em vida do meu neto nunca me deram grande atenção, levaram- ...-me ontem a jantar a um restaurante que, disseram,
-"É um must, Ernesto, vai gostar".
E lá fomos pr'á beira-rio. Imagine-se que raio de nome para uma casa de pasto, fomos a um sítio chamado Bica do Sapato. A parva da Loulou hoje está constipada. Com o frio que fazia quiseram ficar na esplanada, ao ar livre.
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Quando a esmola é grande o pobre desconfia: ainda não percebi o que elas têm na manga para me levarem a jantar.

Fartaram-se de falar, quase sempre em francês, pois foram connosco dois gajos estrangeiros que não sei quem eram, e ao fim e ao cabo só fiquei a saber que vem alguém de Paris para tomar conta do negócio.




Qando chegámos a casa, a Loulou, que só arrota postas de pescada, com as suas manias de grandeza, tirou da mala três guardanapos que tinha roubado no restaurante e disse à Alice que fizesse umas prezilhas com fita de nastro :
- Que os guardanapos dão uns bons panos para limpar a loiça e é preciso poupar que a crise é grande.
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Ernesto

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2.17.2009


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(Eugenio Recuenco)
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"laissez faire, laissez passer"
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pois é!
enquanto o pau vai e vem folgam as costas
e
assim estou eu!
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A vida corre do mesmo modo. Nos intervalos dos Clientes passeio, vou a o cinema e leio.
O sossego é muito grande e saboreio-o com delícia. Está tudo mais calmo, como que em "suspense" , à espera de que qualquer coisa aconteça e que mude o "status quo" em que vamos tentando viver desde o passamento do João.
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Neste momento, enquanto trinco um delicioso bombom de ginja, leio a minha queridíssima Anais Nin e recordo-a nestas pequenas palavras:
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"É preciso que a floresta chore e se dobre como ombros de homem, figuras mortas dentro de árvores vivas. Floresta agora animada de rostos - intelecto, contorsões de espírito. Àrvores desviando em homem e mulher, bi-faces, tornando-se nostálgicas ao mexer das folhas. Àrvores que se deitam, troncos reluzentes, floresta sacudida de uma revolta tão amarga que eu ouvia gemer dentro da sua mais profunda consciência vegetal."
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Anais Nin in A Casa do Incesto
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2.09.2009

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Temos tentado ter tudo organizado e o negócio aberto aqui na "Casa".
O João era um chato mas era o homem "da" casa.
E faz-nos falta!
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Lembrei-me agora do desgosto que senti, faz hoje oito dias (dia 2 de Janeiro), quando fui à missa dita das candeias, por comemorar a apresentação do Menino Jesus no Templo.
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A lei judaica dizia que após 40 dias do nascimento do p
rimogénito a mãe deveria apresentar-se no Templo para se purificar. Maria e Jesus não estavam submetidos à Lei, nem tinham pecados (como eu e a Loulou) para serem purificados, mesmo assim cumpriram a tradição, num gesto de humildade. Os profetas Simeão e Ana receberam-nos e prontamente reconheceram Jesus como a Salvação que vem de Deus, LUZ para as nações.

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Ora bem, esse dia é sempre muito bonito porque distribuem velas por todos os presentes antes da missa e eu lembrei-me muito do João e comprei duas velas.
Uma por sua intenção e a outra para pedir que nos traga um substituto cá para a Casa porque isto sem chulo não tem graça nenhuma !
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Foi linda a missa.

À hora marcada, nós os fiéis e o celebrante antes da missa acendemos as velas e cantámos a antífona:

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"O Senhor virá com poder e iluminará os olhos dos seus servos. Aleluia."

Depois benzeu as velas.

Com as duas velas acesas uni-me ao cântico
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"Levantai, ó portas, os vossos umbrais,
alteai-vos pórticos antigos,
e entrará o Rei da Glória".
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Foi tudo muito caloroso e eu e a Loulou gostamos muito de velas.
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E pedimos, pedimos muito que o Além nos oiça e nos traga um chulo como deve ser.




2.06.2009

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Ontem passou por cá uma pessoa que entregou ao avô Ernesto um rolo de papel que por fora tinha escrito: "a gift from Black Angel", adress http://pleasuredomedois.blogspot.com/ .

Eu e o avô (habituei-me a tratá-lo assim desde que o João morreu), abrimos o rolo e vimos que continha um lindo desenho. Nesse momento chegaram a Nini e a Loulou que logo resolveram emoldurá-lo.

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Sairam e foram à loja dos trezentos no prédio ao lado e vieram com uma moldura dourada, por sinal bastante foleira, mas elas adoram tudo o que é dourado, e já penduraram o desenho na sala de espera.

Por acaso até não fica nada mal mas, se fosse com uma moldurinha doutro género, acho que ficaria bem melhor.

E então não é que as gajas dizem que aquilo é delas e que não vão dar a ninguém! E que nem sequer vão agradecer a gentileza da oferta. Lá vou ser eu, que não tenho jeito nenhum para essas coisas, que terei de ir àquela morada agradecer.

Alice

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1.30.2009

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Não quero lastimar-me. Não quero lastimar-me, que para isso já bastam as outras duas que andam pr'aí a choramingar mal chega alguém. Tem sido assim a semana toda desde que o meu neto morreu.
Não quero lastimar-me, mas, o certo é que me tenho sentido só apesar de nunca ter visto a casa com tanta gente, que elas têm cá trazido malta a comer e a beber como nunca vi.

Mas tenho-me sentido só e tenho pensado muito na minha querida mulher, que Deus lá tenha em descanso e, certamente agora feliz na companhia do meu João, que eram ambos boas pessoas.

Tenho pensado muito nela. Era cá uma mulheraça. Mesmo já passada dos oitentas mas sempre danadinha p'ra brincadeira. Que eu chegava p'ra ela. Ai isso chegava, eram noites quase de vir a barraca abaixo.

Ultimamente lembro-me dela por tudo e por nada. Ainda hoje entrei na cozinha e em cima da bancada estava uma batata que a Fininha ia deitar para o lixo. Era exactamente como a minha defunta: engelhada e mirradinha, mirradinha, mas com um grelo viçoso que parecia que saltava e que chamava por mim. Ai que saudades, meu deus.

E então não é que se me pôs o pissalho em pé só de ver a puta da batata! Mas foi sol de pouca dura, dois segundos depois já ele estava de cabeça baixa, caído no fundo das cuecas.

Ernesto

1.22.2009

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Nunca, mas nunca, pensei que o destino me reservasse isto. Agora que o fim da vida se aproxima e eu esperava ter os meus últimos anos em paz, esta desgraça. A Alice coitadita chora por todos os cantos. As outras duas vestidas de preto por cima dos soutiens, cuecas e ligas vermelhas, fingem.



Pobre João. Tão bom rapaz. Era meu neto mas mais parecia um irmão mais velho ou mesmo um pai. Era como se eu fosse um príncipe. Eu de nada precisava mas ele tudo me dava. E tudo ele achava, sempre, pouco.

Por vezes penso que isto é um sonho. Um sonho mau do qual irei acordar e tudo estará bem. Mas não, a realidade é que o meu pobre rapaz está morto.

Eu sabia, eu sabia que ele coitadito tinha um grande complexo, um enorme desgosto. Em pequeno, teria os seus doze ou treze anos teve, foram as palavras dos médicos, uma tuberculose testicular. Os tomates, apesar dos tratamentos, mirraram, mirraram, que nem eram já tomates. Mais pareciam uns carocitos de nêspera. E disseram eles que teve muita sorte em não precisar que lhos cortassem. O rapaz ficou sempre um complexado.


Mas, que ao fim de tantos anos fizesse isto, nunca pensei. Dizem os médicos que foi a morte dele. Então não é que aquele desgraçado daquele palerma foi injectar botox nos colhões! Não lhe tinha chegado a operação que fizera para os encher com silicone?
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Agora, sem ele, não sei o que me espera. Decerto que nada de bom.
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Ernesto
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1.15.2009

orlando furioso , ludovico ariosto ................

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insónia de festa,
insónia de desgaste,
insónia global ...
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Loulou ausente.
Ernesto doente.
Alice dormente.
João demente.
eu
... excelente ! ..
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a minha alma debulhada
descontrai-se na
alva .
procuro
acho
o
"Orlando Furioso"
e leio...

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"Cérbero

E desde o Érebo

Todas as terríveis,

Infames fúrias

até mim se dirigem.

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Mas aquela fúria, que apenas me

deu suplícios

onde está? Esta é Medoro.

Para os braços de Proserpina

vejo que foge.

Corro para dali a arrancar.

Ah! Proserpina chora!

Desvanece a minha fúria

se até no inferno se chora por amor.Caros olhos , não choreis, não

Pois o pranto pode, mesmo neste reino

Despertar piedade em qualquer um;

Caros olhos não choreis não.

Antes sim, meus olhos, chorai sim

Pois surdo ao vosso encanto.

Tenho um coração duro como o diamante

Nem podeis acalmar a minha raiva

Antes sim, meus olhos, chorai sim. "

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"Orlando Furioso"

(poema épico escrito por Ludovico Ariosto em 1516

e que mostra claramente a assim chamada
"cultura da contradição" )

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(fotog.) Eugenio Recuenco (clicar)

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1.07.2009

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Roman Zaslonov

Nos saldos de Janeiro fui ao El Corte Inglês.
Conheci um bailarino espanhol.
Conversa puxa conversa,
ficou meu cliente ! ...
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Apaixonado pela música de Leos Janácek ofereceu-me um livrinho que leio, nestas tardes calmas de Janeiro. Chama-se : “Diário de un desaparecido”. O autor é um tal Ozef Kalda. Narra a aventura de um naif camponês que perdeu a honra e o coração apaixonando-se por uma cigana. Fugia de noite e seguia-a para os bosques de árvores belas e densas. Um dia não regressou mais. ..
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Gostei tanto que me apaixonei pelo meu cliente espanhol !
Como disse, o meu bailarino adora Janacék e este adaptou os poemas a umas canções que, durante as horas de amor me canta ...
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El aroma del alforfón en flor
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Traducão: em Espanhol
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El aroma del alforfón en flor
Flota hasta el bosque
“te gustaria ver
cómo duermen las gitanas?”
Quebro uma Ramita,
Retiró una piedra
“Ya está hecha mi cama”,
dijo sonriéndome
La tierra es mi almohada
y el cielo es mi cobertor;

las manos frias por el rocio,
calentaré en mi regazo”.
Se tendió en la tierra
Sin nada bajo la falda
Y mi virtud derramó amarga lágrimas.
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(para Osef Kalda - http://www.amazon.com/Diary-One-Vanished-Ozef-Kalda/dp/0374139237 )

(para ouvir Janacek - http://www.youtube.com/watch?v=EfCDLAftKFQ )

(para Janacek - http://en.wikipedia.org/wiki/Leo%C5%A1_Jan%C3%A1%C4%8Dek )

(para El Corte Inglês : - http://www.elcorteingles.pt/faq/faq.asp) .


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12.31.2008

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a nini anda doida de contente. .uma tia, dona dum circo, ofereceu-lhe um macaco como prenda de natal.
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muito bem amestrado:
faz tudo.
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Recados do Orkut

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ela diz que nunca fez gajo nenhum que se lhe compare. .está a pensar alugar o andar de baixo e, com o macaco a atender as clientes, pôr negócio por conta própria. .já começou a telefonar a umas velhinhas e parece que se mostraram interessadas.
eu já tinha avisado o meu neto que a gaja assim que tivesse uma oportunidade se punha a mexer daqui para fora. um macaco, vejam lá! e ainda falam do pessoal dos bairros de lata. via-se por lá muito gandulo a chutar prá veia, mas fazer porcarias com animais, isso nunca.
bem, o João quando tinha os seus catorze anos, fui dar com ele a fornicar uma galinha que por lá andava. coitada, morreu ao fim de dois dias que ele deixou-a toda esborcelada. o prejuízo não foi nenhum, que a minha mulher, que o Senhor lá tenha em descanso, tinha um lugar no mercado e lá a depenou e vendeu.
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bem, vou mijar, que estou à rasca e ainda faço nas calças e depois tenho que aturar a fininha.
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Ernesto
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12.23.2008

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nunca cheguei a perceber bem o que se passou, mas desde o dia em que cheguei aqui e a alice me apareceu com um olho todo negro, que parece ter ficado com a religiosidade mais exarcebada. quando para cá veio troxe uma imagem religiosa que pendurou no quarto. esta semana entrou com um embrulho debaixo do braço e pediu-me que pregasse um prego na parede pois comprara uma imagem nova.
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o quadro lá está e fiquei um bocado admirado, pois ela e as outras duas nunca se deram muito bem, mas hoje chamou-as dizendo:
-Meninas, preciso que venham aqui dar-me uma opinião.

a porta estava aberta e, por curiosidade, espreitei. as três examivavam o quadro pendurado na parede:

.... -Olha que é.

-Não, não pode ser, então um santo assim!?

.-Pois, não sei, ao mesmo tempo parece uma sombra.

não sei, nem me interessa saber do que elas estavam a falar, mas reparei mais uma vez que a fininha está muito jeitosa. ao pé das outras duas é um autentico biscuit.

joão

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12.16.2008

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conheci uma chavala de dezoito anitos. anda a ensaiar na junta de freguesia pois vai fazer de virgem no presépio vivo que vai ser exibido na quadra festiva. na minha vida fui para a cama com muita mulher, mas esta é a melhor queca que me apareceu até hoje.
ontem à noite, quando vinha de casa dela, eram duas e tal da manhã e fazia um frio de rachar, deu-.-me uma grande vontade de mijar e, como ainda estava longe de casa e não vi ninguém na rua pus-.-me a mijar no passeio, de encontro a uma árvore.
eu não os tinha visto, mas apareceram-me, não sei saídos de onde, dois filhos da puta de dois polícias:
- o senhor não sabe que não pode fazer isso na via pública?
reparei que o que estava calado me olhava disfarçada, mas insistentemente, para a berguilha.
- ó senhor guarda, com este frio estava tão aflito que não consegui aguentar.
- pois é, mas tinha que se aguentar, agora tem que se aguentar com a multa.


nisto, ilumina-se a porta da escada do prédio mesmo ao pé de nós e sai uma gaja com um cãozinho pela trela e põe-o a mijar na outra árvore mais adiante.

- ó senhor guarda, então um cão tem mais direitos do que eu, pode vir urinar (o que me custou encontrar a palavra naquela altura, mas não queria parecer ordinário) pode vir urinar à rua quando até estava em casa e eu que vinha aqui à rasca não posso?
não acho certo, senhor guarda.
- pois é, tem razão. boa noite.

à luz do candeeiro da rua o outro esboçou um ligeiríssimo sorriso e olhou-me nos olhos pestanejando descaradamente. em seguida viraram-me os dois as costas e afastaram-se dobrando a esquina.
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joão

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12.09.2008

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(- Joanna Chrobak -
Nasceu em 1968 em Poznan, Poland.
De 1989 1994 estudou pintura na Academia de Belas Artes de Carcóvia)



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"Os braços foram-me tirados, cantava.
Fui punida por abraçar. Abracei.
Prendi nos momentos mais belos da minha vida.
Fechei nas mãos a plenitude de cada hora.
Os braços apertados no desejo de abraçar.
Quis abraçar a luz, o vento, o sol, a noite, o mundo inteiro e quis retê-los.
Quis acariciar, curar, embalar, envolver, cercar.
Forcei-os e prendi de tal modo que se partiram;
partiram de mim"
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(- Anaïs Nin -

[Angela Anaïs Juana Antolina Rosa Edelmira Nin y Culmell].

Nasceu em 1903 em Neuilly, perto de Paris. Morreu em 1977 em Los Angels

Tornou famosa pela publicação de diários pessoais, que começou quando tinha 12 anos.

Foi amante de Henry Miller e só permitiu que seus diários fossem publicados após a morte de seu marido.)

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12.01.2008


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Kalvis Zuters
(nasceu na Lituânia onde se graduou na Academia
de Arte).

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Nesta época do Advento, que bem me soube passar o Domingo chuvoso em casa, num canto com uma manta a ler os Sermões do Padre António Vieira.
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Como vou ter um Cliente perto da hora de jantar, apenas li a I parte do Sermão de Nossa Senhora do Ó (1640).
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Aqui vai ele, para que o apreciem!
(e logo este que fala de circulos e etc, figuras geométricas de que tanto gosto !!!...)

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Ecce concipies in utero, et panes Filium

I

A figura mais perfeita e mais capaz de quantas inventou a natureza e conhece a geometria é o círculo. Circular é o globo da terra, circulares as esferas celestes, circular toda esta máquina do universo, que por isso se chama orbe, e até o mesmo Deus, se sendo espírito pudera ter figura, não havia de ter outra, senão a circular. O certo é que as obras sempre se parecem com seu autor; e fechando Deus todas as suas dentro em um círculo, não seria esta idéia natural, se não fora parecida à sua natureza. — Daqui é que o mais alumiado de todos os teólogos, S. Dionísio Areopagita, não podendo definir exatamente a suma perfeição de Deus, a declarou com a figura do círculo: Velut circulus quidam sempiternus propter bonum, ex bono, in bono et ad bonum certa, et nusquam oberrante glomeratione circummiens. Estes são os dois maiores círculos que até o dia da Encarnação do Verbo se conheceram; mas hoje nos descreve o Evangelho outro círculo, em seu modo maior. O primeiro círculo, que é o mundo, contém dentro em si todas as coisas criadas; o segundo, incriado e infinito, que é Deus, contém dentro em si o mundo; e este terceiro, que hoje nos revela a fé, contém dentro em si ao mesmo Deus. Ecce concipies in utero, et paries Filium: hic erit magnus, et Filius Altissimi vocabitur (2). Nove meses teve dentro em si este círculo a Deus, e quem poderá imaginar que, estando cheio de todo Deus, ainda ali achasse o desejo, capacidade e lugar para formar outro círculo? Assim foi, e este novo círculo, formado pelo desejo, debaixo da figura e nome de O, é o que hoje particularmente celebramos na expectação do parto já concebido: Ecce concipies et paries. De um e outro círculo travados entre si, se comporá o nosso discurso, concordando — que é a maior dificuldade deste dia — o Evangelho com o título da festa, e o título com o Evangelho. O mistério do Evangelho é a conceição do Verbo no ventre virginal de Maria Santíssima; o título da festa é a expectação do parto e desejos da mesma Senhora, debaixo do nome do O. E porque o O é um círculo, e o ventre virginal outro circulo, o que pretendo mostrar em um e outro é que, assim como o círculo do ventre virginal na conceição do Verbo foi um O que compreendeu o imenso, assim o O dos desejos da Senhora na expectação do parto foi outro circulo que compreendeu o eterno. Tudo nos dirão, com a graça do céu, as palavras que tomei por tema. Ave Maria.

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Meditem comigo !
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NINI
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11.26.2008




Sempre me interessei pela natureza. A investigação científica sempre me fascinou. Mas, nasci pobre e numa barraca. Nunca tive condições para desenvolver as minhas capacidades. No entanto a minha curiosidade sempre foi grande em relação aos mistérios de tudo que me rodeia. Assim, sempre tentei encontrar o porquê dos factos estranhos que no dia a dia observo.

Vivendo num bairro de lata o que eu via era diferente do que vejo agora. Na barraca não tínhamos luz eléctrica e verifiquei que umas vezes as velas ardiam até ao fim e outras vezes não. Investiguei e cheguei à conclusão de que não ardiam até ao fim quando o cordelinho de dento não ia mesmo até ao fundo da vela.



Aqui, desde que o João, meu neto, para cá me trouxe, tudo é novo para mim. As condições de vida são diferentes e, assim sendo, o que observo diariamente, e que desperta a minha curiosidade, é diferente também.

Lá não tínhamos casa de banho e fazíamos as nossas necessidades directamente ao ar livre ou então, se era Inverno e chovia muito, fazíamos dentro de casa em sacos de plástico que depois deitávamos nos contentores do lixo. Aqui em casa tenho uma boa sanita e isso permitiu-me reparar num facto curioso: há cagalhões que vão ao fundo e outros que ficam a boiar à superfície.

Ainda não sei por onde começar, mas hei-de descobrir o motivo desta diferença.

Ernesto


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11.18.2008



Eugenio Recuenco

É um dos fotógrafos de moda mais criativos da Espanha. O seu estilo é definido como “cinematográfico” por Versace e o favorito entre muitos diretores de arte e criativos de grandes agências de publicidade que consideram sua fotografia “pictorial” (uma fotografia pictorial é uma utilização do meio fotográfico como uma forma de arte. A ênfase está no interesse e impacto visual, a composição, e excelência técnica). Em Espanha trabalha com exclusividade para a Vogue.

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Deputado à Convenção durante a Revolução francesa, regicida por ter votado a morte do rei de França Luís XVI, pintor histórico, principal expoente da reacção neo-clássica contra o estilo rococo, foi um dos raros grandes artistas franceses da época.
Nasceu em Paris, em 30 de Agosto de 1748; morreu em Bruxelas em 29 de Dezembro de 1825.




Ontem, domingo, estava com neura.
A busca de um super homem levou-me a ir ver o James Bond.
Nem aqui o encontrei.

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Regressei a casa.
Vim ler o

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Manfred
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(aqui sim !
Razão tinham o Schumann, o Tchaikovsky e o Nietzsche !)

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Manfred: "Incantation"
(excerto)

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"...By thy cold breast and serpent smile,
By thy unfathom'd gulfs of guile,
By that most seeming virtuous eye,
By thy shut soul's hypocrisy;
By the perfection of thine art
Which pass'd for human thine own heart;
By thy delight in others' pain,
And by thy brotherhood of Cain,
I call upon thee! and compel
Thyself to be thy proper Hell! ..."
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George Gordon, 6º Barão Byron
(Londres, 22 de janeiro de 1788 — Missolonghi, 19 de abril de 1824)

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[Manfred, foi escrito em 1816, e publicado in 1817. Na abertura do poema "The incantation" há uma voz não identificada, uma espécie de fantasma, que fala sobre o corpo inanimado do herói]

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LOULOU

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11.12.2008

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esta noite tive um pesadelo terrível: a loulou e a nini já cá não trabalhavam e a alice também se fora embora. eu tinha contratado uma estranha criatura que se gabava de ser eficiente em todo o serviço e, assim sendo, coloquei por cima da porta uma tabuleta que dizia:

CASA DE PASSE
UNISEXO

mas a clientela desapareceu: quem gostava de homens queria um a sério, quem gostava de mulheres não queria aquilo. aquilo não era nada.

em breve fui à falência.

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. tentando resolver a situação, a minha e a da criatura, consegui que a aceitassem no jardim zoológico, onde ficou numa jaula. eu ganharia à comissão, sobre bananas e pacotes de amendoim que os visitantes comprassem para lhe dar. continuei falido: ninguém comprava nada.

desesperado, pensei matar-me. felizmente a tensão nesse momento foi muita e acordei. não fora isso, possivelmente, estaria morto a esta hora.

quando voltei a adormecer sonhei que uns gajos duma estação de televisão, com muita merda naquelas cabeças, queriam contratar a criatura para exibir em programas, sendo a minha comissão muito choruda.

dormi sossegado o resto da noite.

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mas hoje o dia já não está a correr bem. a nini está com uma grande gripe. as vias respiratórias todas entupidas e cheia de dores na garganta. tive que mandá-la para casa, que aqui não me serve para nada: não consegue arfar para fingir o orgasmo, nem praticar sexo oral que é a sua grande especialidade.

joão
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11.05.2008

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'Fui a Fátima às compras'
Joana de Vasconcelos
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Nasceu em Paris a 8 de Novembro de 1971.
Artista plástica portuguesa contemporânea, considerada como uma das mais marcantes da última década. Formou-se no AR.CO, em 1996. Trabalha frequentemente com a escultura e a instalação.

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O meu dia livre é às 2as feiras.
Sinto sempre necessidade de voltar ao passado do meu palácio da infância, aos rituais de que o meu santo pai era tão devoto e ofereci-me para Hostiária na Igreja de Linda-a-Velha.
Aqui estou longe deste mundo novo de puta e perto do meu mundo antigo.
Chego por volta das 4 da tarde.

As minhas companheiras nem sonham a vida que eu levo com a Loulou, João, Alice e o Avô.
E eu sinto que estou fora desse mundo.
As minhas companheiras da paróquia são a Margarida e a Aurora. Gosto muito da Aurora. Tem 82 anos, magrinha, cara bondosa com óculos de aro de metal e cabelos aos caracois brancos.

A Margarida é uma beata cínica, sempre a apregoar o bem que faz e a criticar as outras..

(Tem o cabelo tão preto qu e parece engraxado.)

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Como fui ao cabeleireiro cheguei um pouco tarde e quando tal acontece fico sempre com medo de me esquecer de algo na preparação dos rituais.
É assim:
Preparar a caixa das velas (40 cêntimos cada);
Preparar o livro/agenda das intenções da missa (
defundos, missas pelo dom da vida etc etc);
Verificar os altifalantes;
Verificar se há parafina nas velas do altar;
Preparar os livros de celebração (o santoral ou ferial para as leituras e o dos ritos inicias para o Sr Prior);
Pôr a alva e o cingulo para o Sr Prior vestir;
Colocar a chave no sacrário;
Ver a cor da casula (a de ontem era verde) e colocá-la ao pé da alva, na sacristia;
Limpar o cálice e pôr sobre ele o sanguineo (toalha com cruz no meio);
Sobre este coloca-se a patena (a bandejinha redonda) ;
Sobre a patena a hóstia (grande) por consagrar;
Sobre a hóstia um naperon redondo;
Sobre o naperon redondo colocar o corporal (toalha dobrada em 4);
Preparar as galhetas :uma com água , outra com vinho;
Sobre elas coloca-se uma toalhinha igual à do cálice mas com a cruz numa das pontas;
Preparar a salva das partículas (pequenas hóstias).
Cobri-la com um pequeno naperon quadrado com cruz no meio;
Colocar isto tudo na mesa de apoio ao altar;
(no meio o cálice, do lado direito a galheta, por detrás a lavanda e à esquerda a salva com as hóstias),
Pôr o santoral ou ferial na estante das leituras
Por o missal dos ritos iniciais no altar juntamente com as intenções da missa;
Distribuir as folhas dos cânticos pelas cadeiras da igreja;
Por 2 cestos para esmolas ao pé do altar;
Acender as velas.

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Ontem foi dia de S. Martinho de Porres.
O Envagelho foi muito bonito e era do meu preferido, o São Lucas. Versava assim:
"Naquele tempo, disse Jesus a um dos principais fariseus que o tinham convidado para uma refeição. Quando ofereceres um almoço ou um jantar, não convides os teus amigos nem os teus irmãos, nem os teus parentes nem os teus vizinhos ricos, não seja que eles por sua vez te convidem e assim serás retribuido. Mas quando ofereceres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos, e os cegos; e serás feliz por eles não terem com que retribuir: ser-te-à retribuido na ressurreição dos justos".
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No fim da missa, regressei a casa consolada e com a alma mais leve.

Não gosto nada de, nestes dias, ter Clientes mas tem de ser!
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A vida é dura, se é !
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(NINI)


10.28.2008

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avec tant de vent
je fouine mes memoires
d'enfant.
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(Loulou)
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"two of me"
Patricia Jo Peacock
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Estudou de 1991-1993 no Buffalo State College, Buffalo, NY
De 1989-1991 no Massachusett s College of Art, Boston, MA
Quand j'avais six ans
La première fois
Que papa m'emm'na au cinéma
Moi je trouvais ça
Plus palpitant que n'importe quoi
Y avait sur l'écran
Des drôl's de gars
Des moustachus
Des fiers à bras
Des qui s'entretuent
Chaqu' fois qu'i trouvent
Un cheveu dans l'plat
Un piano jouait des choses d'atmosphère
Guillaum' Tell ou l'grand air du Trouvère
Et tout le public
En frémissant
S'passionnait pour ces braves gens
Ça coûtait pas cher
On en avait pour ses trois francs
Belle, belle, belle, belle, comm' le jour
Blonde, blonde, blonde, blonde, comm' l'amour
Un rêve est passé sur l'écran
Et dans la salle obscurément
Les mains se cherchent, les mains se trouv'nt
Timidement
Gare, gare, gare, gare, la revoilà
Et dans la salle plus d'un cœur bat
La voiture où elle se croit en sûr'té
Vient de s'écraser par terre
Avec un essieu cassé
Le bandit va pouvoir mettr' la main
Sur le fric, c'est tragique
Non d'un chien
C'est fini, tout s'allume
A mercredi prochain
Maintenant ce n'est
Plus mon papa
Qui m'accompagne au cinéma
Car il plante ses choux
Là-bas pas loin de Saint Cucufa
Mais j'ai rencontré
Un Attila
Un moustachu un type comme ça
Il ador' aller le mercredi
Dans les cinémas
Bien sûr c'est dev'nu l'cinémascope
Mais ça r'mue toujours et ça galope
Et ça reste encor' comme autrefois
Rempli d'cov'boill's sans foi ni loi
Et de justiciers qui vienn'nt fourrer
Leur grand pied dans l'plat
Gare, gare, gare, gare, Gary Cooper
S'approche du ravin d'enfer
Fais attention pauvre crétin
Car Alan Ladd n'est pas très loin
A cinq cents mètres il log' un' balle
Dans un croûton d'pain
Gare, gare, gare, gare, pendant c'temps-là
Je sens qui m'serr' dans son grand bras
Le fauteuil où je m'croyais en sûr'té
N'empêche pas cett' brut' d'essayer
De m'embrasser
J'ai pas vu si Gary s'rait gagnant
Mais comm' c'est l'cinéma permanent
Mon chéri rappell' toi on est resté un an
Et on a eu beaucoup d'enfants.
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Cinématographe
(Boris Vian)
- Nasceu a 10 de Março de 1920, em Paris -
- Morreu a 23 de Junho de 1959, em Paris -
Foi escritor, poeta, cantor, músico e engenheiro francês.
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10.21.2008

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Ontem foi o funeral duma tia da Loulou que vivia no Fundão. Elas foram as duas de camioneta, logo de manhã, com o João. Em casa, tratei da comida e fiquei sozinha com o velho que dormiu todo o dia. Só acordou para comer. A seguir ao almoço sentei-me um bocado para ver a novela da tarde mas, mal tive tempo para espalmar as nalgas no sofá, a campainha da porta tocou. Abri. Era um gajo e uma gaja.
- Boa tarde, disse ele, eu e a minha senhora gostávamos que nos atendesse se estiver disponível.



Não é a primeira vez que elas despacham casais, que aqui aparece de tudo. Disse cá p'ra comigo: Bem umas c'roas a mais vinham mesmo a calhar. Ninguém vai saber. Aproveito para desenferrujar o grelo e um esfreganço só me vai fazer bem à circulação. .......................................... Mandei-os entrar.

Em casos destes as outras duas costumam oferecer um cházinho, para não se entrar logo a matar e, como achei que a gaja tinha um ar um bocado patareco, para a pôr mais à vontade, foi o que fiz.

Enquanto bebíamos tentei empernar com ele, mas o gajo nada. Pensei: -É ela a interessada - e a ideia até me agradou mais. Assim, deitei-lhe mais chá e enquanto ela bebia meti-lhe a mão saia acima.

O serviço de chá ficou partido e eu tenho a cara toda escalavrada e um olho todo negro. Sairam porta fora aos gritos e a ameaçarem-me com a polícia, que até agora ainda não apareceu.

Afinal, não vinham para sexo, eram testemunhas de Jeová.

Disse ao João que tinha tido uma tontura e que caí com o tabuleiro do chá. Ele não acreditou e olhou para o avô, abanando a cabeça, reprovador. O grande parvo acha que foi o velho que me bateu.

Alice
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10.18.2008


Eugenio Recuenco
(transcrito do seu site :
"Eugenio recuenco es un fotógrafo español que es un pesado porque siempre se empeña en hacer lo que él quiere. Trabaja para bastantes clientes en publicidad y editoriales en todo el mundo, los cuales también son unos pesados porque siempre quieren hacer lo que a ellos les gusta. De esas peleas entre cabezones se han podido rescatar las imágenes de esta web; algunas mejores, otras peores, pero realizadas con mucha ilusión y con el apoyo de un gran equipo que constituye “el ojo de Frosker”. Este último es un ente llegado a la tierra para fastidiar a algunos y esperamos que también para agradar a otros. Si eres de éstos últimos, ya estas tardando en entrar."



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(eu bem digo à loulou:
"quem não vive como pensa, acaba por pensar como vive" !

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ela não acredita e critica-me o modo como emprego as minhas horas livres

. Estou cansada, muito cansada e vim descansar para casa ...)
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descanso

e leio

O repouso do guerreiro

"Novos Contos do Gin"

Depois de ter andado bastante tempo de um lado para o outro,voltou a casa,
já com 50 anos.
Trazia um bicho. Uma panterasinha negra de seis meses, cheia de ternura,
amizade e dentes.
Então resolveu ficar sentado, olhando a televisão, os livros, alguma música e
várias bebidas.
Três anos depois ou talvez um pouco mais, não estou certo, alguns amigos
acharam graça ir visitá-lo.
Foram.
Bateram à porta.
Aparecerem dois meninos a abri-la. Dois meninos escuros, com dentes
eficazes e sorriso amigo.
Rosnavam ternamente.




(Mário Henrique Leiria)

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A 2 de Janeiro Mário-Henrique Leiria nasce em Lisboa. - 1942: É expulso, em Lisboa, da Escola Superior de Belas Artes, talvez por motivos políticos. - 1949/51: Participa nas movimentações surrealistas portuguesas, entre as quais a obra colectiva Afixação Proibida. - 1952/57: Vários empregos: Marinha Mercante, caixeiro viajante, operário metalúrgico, servente de pedreiro, etc... Viaja pela Europa ocidental e central, também pelo norte de África. - 1958: Visita a Inglaterra. - 1959: Casa, em Lisboa, com uma rapariga alemã; dois anos depois o casal irá separar-se. - 1961: “Operação Papagaio” e MHL é detido pela PIDE. Parte para o Brasil. - 1970: Regressa a Portugal. - 1973: Publica Contos do Gin-Tonic. - 1974: Publica Novos Contos do Gin. Revolução do 25 de Abril, em Portugal. - 1975: MHL é o chefe de Redacção de O COISO, suplemento semanal do diário A REPÚBLICA. Publica Imagem Devolvida, Conto de Natal para Crianças e Casos de Direito Galáctico seguido de O Mundo Inquietante de Josela (fragmentos). - 1976: Adere ao PRP (Partido Revolucionário do Proletariado) - 1979: Publica Lisboa ao voo do pássaro. - 1980: A 9 de Janeiro morre em Cascais (degenerescência óssea).
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10.12.2008

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Kim Simmonson
Nasceu na Finlândia.
Estudou na Universidade de Artes de Helsinquia.
Obteve o grau em "Master of arts" em 2000
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(Guardian angel )

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Nem queria acreditar !!!
O que eu fui encontrar
na mesa de cabeceira da Nini !!!
um livro...
Da ACI
(Acção Católica Internacional)
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O que se passará na cabeça desta rapariga, pergunto-me?
Remorsos?
Desejos de voltar ao passado ?
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ao calhas, abri o livro
e li !
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a ...
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"Meditação
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Mc. 6, 8- 11
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Ordenou-lhes (aos doze) que nada levassem para o caminho a não ser um cajado: nem pão, nem alforge, nem dinheiro no cinto; que fossem calçados com as sandálias e não levassem duas túnicas.
E disse-lhes também: Em qualquer casa em que entrardes, ficai nela até partiirdes dali. E, se não fordes recebidos numa localidade, se os seus habitantes vos não ouvirem, ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pés, em testemunho contra eles".
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Depois, vinha a
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Oração
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Obrigada, Senhor,
porque, com a Tua vida, nos ensina que
aquele que é feliz,
não é aquele que mais tem,
mas o que mais ;
não aquele que mais pode,
mas aquele que mais serve;
não quele que mais sabe
mas aquele que mais confia
em Ti
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nem sei o que pensar!
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10.05.2008

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Na minha família nunca houve, que eu saiba, alguém que, de miolo, fosse muito dotado. Excepção possa, talvez, ser feita ao meu tio Chico, irmão da minha avó. Embora eu duvide. De qualquer maneira foi o único a fazer aquilo que, na altura, se chamava de terceira classe. Para um gajo das barracas era na verdade muito bom.
Arranjou emprego num escritório e tudo parecia correr bem até ao dia em que partiu um frasco e, munido de cola líquida e de um pincel esteve quase duas horas sentado à secretária a tentar colá-lo. Os colegas lá conseguiram dissuadi-lo da tarefa e, achando a sua conversa um bocado sem pés nem cabeça, resolveram levá-lo a casa.


Sempre ouvi a família contar que a causadora da sua loucura tinha sido uma gaja boazona com quem ele andava enrolado, que ao saber que ele tinha uma namorada com quem queria casar lhe deu uma de chinelo de trança. O meu pessoal sempre foi muito de acreditar nestes bruxedos mas, cá por mim, ele teve foi um esgotamento, pois andava a estudar à noite para fazer a quarta classe e fodia que se fartava, fazendo grandes directas.

Daí prá frente, coitado, até morrer, nunca mais disse coisa com coisa.

Tinha no entanto uma bonita figura e umas belas feições. Sempre me disseram que eu saí a ele. A vaga recordação que tenho é a de vê-lo sempre sentado à porta da barraca a falar sosinho. Quando a minha avó morreu resolvi trazer a fotografia que ela sempre conservou pregada na parede de madeira, com quatro pioneses, e cheia de cagadelas das moscas.

Agora, da família só me resta o meu avô e, desde que para cá veio, criei-lhe amizade como nunca pensei. Não quero nem pensar que um dia também há-de bater as colheres.

João


9.25.2008

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Nan Goldin
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Nasceu em 1953, em Washington, D.C.
Cresceu no seio de uma familia judia de classe média alta,
em Boston, nos suburbios de Lexington.
Frequentou a Satya Community School onde aprendeu a fotografar.
Na sua primeira exposição baseou as suas fotografias
nos meios e comunidades gay e transsexual .
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"Só me dirijo às pessoas capazes de me entender,
e essas poderão ler-me sem perigo ."
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Doantien Alphonse François,
Marquês de Sade
França
[1740-1814]
Escritor

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9.18.2008

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“O Jardim das Delícias”
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Pintura Medieval / Óleo sobre painel de madeira / Arte Flamenga
Local de realização: Flandres – Bélgica / França / Holanda
Data: início do século XVI (1504, provavelmente)
Artista: Hieronymus Bosch ou “El Bosco” (1450-1516)
Dimensões: mais de 2 metros de altura por quase 4 metros de comprimento
Local de exposição actual: Museu Nacional do Prado, Madrid– Reino da Espanha

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A tarde de um fauno
(Écloga 1865-1875)
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O fauno:

Estas ninfas, eu quero perpetuar.
Tão leve
O seu claro rubor
que um volteio descreve
No ar dormente, denso de sono.
Amei um sonho?
À dúvida, montão de antiga noite; ponho
Fim, ao ver deste bosque a subtil ramaria
Provar-me que eu, na solidão, me oferecia
Em triunfo, ai de mim! a falta ideal de rosas.
Reflitamos... serão mulheres fabulosas
Que à exaltação dos teus sentidos atribuis?
Fauno, a ilusão se escapa dos olhos azuis
E frios, como fonte em prantos, da mais casta:
Toda suspiros, a outra, achas que ela contrasta
Qual brisa matinal quente no teu tosão?
Mas não! no lasso espasmo e na sufocação
Do caos dois tubos seu alento
Antes que em chuva árida espalhe os sons em fuga
É, no horizonte que não frisa uma só ruga,
O visível, sereno sopro artificial
Da inspiração, que ao céu retorna. ....”
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Stéphane Mallarmé
,
cujo verdadeiro nome era Étienne Mallarmé,
Pequeno funcionário, professor de inglês na província,
poeta e crítico literário francês.
Teve como deuses Edgar Allan Poe e Baudelaire.
Quando pressentiu a chegada da morte, pediu à mulher Marie e à filha Geneviève que queimassem todos os seus escritos,
como fizeram Franz Kafka e o poeta Virgílio.
Ele morreu asfixiado no dia seguinte.
Mas, felizmente, elas não cumpriram o desejo dele.
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9.11.2008

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A Alice está-se a pôr boa comó milho. E, ou me engano muito ou o velhote anda a trincar aquilo. O sacaninha, hem!, desdentado em cima mas a morder bem em baixo. Por isso eles andam os dois luzidios e felizes. Ele, eu ainda posso compreender, saíu-lhe a sorte grande, pudera, a trincar carninha daquela. Mas ela...Não acredito que o sacaninha, quase com noventas lhe consiga fazer repicar os sinos. Olha o grande sacaninha! Tão desgostoso, tão desgostoso com a morte da minha avó, mas até aposto que já nem se lembra dela.

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E eu que até andava com umas ideias...Não é que eu a tenha achado uma maravilha na cama, mas lá boa dona de casa ela é e um homem, a partir duma certa idade, tem que se arrumar. Arrumar, está bem, está. Por este andar eles é que ainda me arrumam algum tio.
Não, não pode ser, estou a imaginar merdas. Pelo que me tenho apercebido ela até nem gosta muito de picha. Ainda no outro dia, era o dia da folga das outras duas, ouvi ais e gemidos e fui dar com ela a cheirar os lençóis da cama da Nini e a esfregar-se neles. Gemia como se estivesse com mais de quarenta de febre. Cá por mim isso até era baril, um gajo arrumado com uma gaja que não puxa muito por nós é bom. Dá espaço para um gajo se organizar por fora.

Bem, tenho é que ter calma, organizar mas é o miolo e nada de precipitações. O que for logo se verá. É preciso dançar conforme a música. A merda toda é que eu sou muito duro de ouvido.

João




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9.10.2008

' L'après-midi d'un faune '







A sesta de um fauno
(Mallarmé)
Écloga
O fauno
Estas ninfas, eu quero perpetuar.
Tão leve
O seu claro rubor que um volteio descreve No ar dormente, denso de sono.
Amei um sonho?
À dúvida, montão de antiga noite; ponho
Fim, ao ver deste bosque a sutil ramariaProvar-me que eu, na solidão, me oferecia
Em triunfo, ai de mim! a falta ideal de rosas. Reflitamos...
serão mulheres fabulosas
Que à exaltação dos teus sentidos atribuis? Fauno, a ilusão se escapa dos olhos azuisE frios, como fonte em prantos, da mais casta: Toda suspiros, a outra, achas que ela contrastaQual brisa matinal quente no teu tosão? Mas não! no lasso espasmo e na sufocaçãoDo calor, que a manhã combate, não murmura Água se não a verte a minha flauta puraDe acordes irrorando o bosque; e o único ventoPronto a exalar pelos dois tubos seu alentoAntes que em chuva árida espalhe os sons em fugaÉ, no horizonte que não frisa uma só ruga, O visível, sereno sopro artificialDa inspiração, que ao céu retorna.







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Stéphane Mallarmé



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(nasceu em 1842. Pequeno funcionário, professor de inglês na província, tinha como deuses Edgar Allan Poe e Baudelaire)

9.05.2008

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Ilze Muceniece
Nasceu a 25 de Fevereiro de 1954, em Riga
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- ...
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- ...
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- Filha, és mesmo tu?
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- Papá!?
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- Estás com mau aspecto. Estou farto de te
dizer que esses cremes só servem para gastar
dinheiro. Água e sabão azul... não precisas demais nada.
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- Mas, diga-me: como é que está, como é a
vida... como é que são as coisas ai?
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- Água e sabão azul. É o que eu sempre disse.
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- Sim. Água e sabão azul. Eu lembro-me. Mas
temos tantas coisas para falar... eu não o devia
ter posto no lar. Mas era tão dificil tomar conta
de si, papá!
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- Papá?? Deve estar a fazer confusão. Os meus
filhos são pequenos. E são todos louros. Vivemos
numa casa linda, no meio das montanhas...
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- Papá; isso é a Música no Coração. Eu sei que
era o seu filme preferido, mas...
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- Devias por os olhos na tua prima Cristina.
Aquilo é que é uma rapariga cuidada. E casou
bem, com o tal rapaz dos Correios. Não com um
inútil como o teu marido.
.
- Deixe lá o Carlos. Conte-me antes o que
faz, o que vê...
.
- Água e sabão azul... nunca deixei a tua mãe
usar outra coisa e olha se ela não continua uma
bonita mulher.
.
-Viu a mãe?

- Que pergunta. Então não havia de ver a
minha mulher? Mas agora não lhe falo. Imagina
que me faltou ao respeito! Começou a falar do
mal que eu tratava o pai dela, por estar sempre
a babar-se e ser surdo que nem uma porta... e
depois riu-se! Disse que era bem feito. Que era
bem feito eu passar o resto da eternidade assim,
completamente senil. Mas o que é que ela queria
dizer? E imagina que me veio à ideia que ela já
tinha morrido... e há muitos anos! A memória
prega-me cada partida!
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'Do outro lado'
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Javier Ortega
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9.01.2008

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Gabriel-Martinez
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Artista fotógrafo residente em Nice.
A sua actividade desenvolve-se no meio da publicidade e da arte
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"o sexo é a coisa mais divertida que eu já fiz sem que risse"
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Woody Allen

(Allan Stewart Konigsberg)
Nasceu a 1 de Dezembro de 1935, em Brooklyn, New York.
Cineasta, músico, escritor, actor e muito mais.
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8.25.2008

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Eugenio Recuenco
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Nascido em Espanha, considerado um dos grandes fotógrafos de moda.
Com trabalhos tecnicamente perfeitos, criativos e arrebatadores
(como a Loulou e eu - Nini - gostamos) .
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"Ordena-me que morra de amor por ti! Suplico-te que me ajudes a vencer a fraqueza própria de uma mulher, e que toda a minha indecisão acabe em puro desespero. Um fim trágico obrigar-te-ia, sem dúvida, a pensar mais em mim; talvez fosses sensível a uma morte extraordinária, e a minha memória seria amada. Não é isso preferível ao estado a que me reduziste? "

-

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Cartas


Soror Mariana de Alcoforado

(1640-1723)

nasceu e faleceu em Beja.




8.14.2008

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Não sei, não. Afinal o pessoal que mora em prédios não é melhor do que o que mora nas barracas. Eu lá não ouvia o que oiço aqui. Tudo era bem mais sossegado.
Bom, havia a malta da droga, mas aqui também já tenho visto disso. Até aqui na casa. Aquele brasileiro e a velha se não se chutam, eu não me chame Ernesto.
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Bem sei que estou cá melhor do que na barraca e o João, o meu neto, não me falta com nada, mas vejo por aqui as mesmas merdas que via por lá e, às vezes bem pior. Sim, que esta gente com o dinheiro que tem e mais cultura e estudos do que nós, bem tinha obrigação de se portar doutra maneira.
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8.07.2008

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Doris Day
Makes a Face Hollywood
© Leo Fuchs 1961

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"If it's true that men are such beasts,
this must account for the fact that
most women are animal LOVERS."

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Doris Mary Anne von Kappelhoff

conhecida como Doris Day
(cantora e actriz americana
nasceu a 3 de Abril de 1924

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8.01.2008

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René François Ghislain Magritte
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(Lessines, 21 de Novembro de 1898 - Bruxelas, 15 de Agosto de 1967)
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"Liaisons Dangereuses"
(1936)
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"There is no woman in the world

who does not abuse the power

she has been able to acquire”
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Pierre Choderlos de Laclos

(October 18, 1741, Amiens, França - Sepember 5, 1803, Taranto, Itália)
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7.25.2008

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Tenho que agradecer ao brasileiro o servicinho que me arranjou: A vaca da velha pregou-me um esquentamento.

Tem uma casa que parece um museu. Molduras douradas por tudo o que é parede. Brutos cortinados e uma grande cama com mosquiteiro à volta. Eu sabia lá que aquilo se chamava mosquiteiro. Para mim eram umas cortinas.
Mas não quis fazer o serviço na enorme cama:
-Vamos para o quarto de hóspedes, disse-me, para não desarrumarmos aqui nada. E não quero cá camisinha, gosto de tudo ao natural.
Foi assim que a puta me pegou o escarepe.
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E, filha da mãe, levou toda a noite a levantar-se, de bengala, sempre de um lado para o outro. Fumou tanto que parecia que o quarto tinha nevoeiro.



De manhã tomámos o pequeno almoço numa varanda envidraçada. Mais parecia uma sala: Uma mesinha, tipo das que eu vejo no antiquário lá ao pé da casa, três cadeiras do tempo da Maria Cachucha e mais quadros em molduras douradas. Peguei numa maçã que estava na fruteira.

-Isso é para enfeitar, para dar ambiente, disse ela, não coma.

-Mas são verdadeiras, disse eu.

-Com certeza, então eu ia lá pôr frutos de plástico pela casa fora! Classe, meu jovem, é preciso ter classe. Vá ao frigorífico que há lá muitas.

Desisti, mas como nesse dia estava numa de fruta, à noite, apesar dos protestos dela, ainda lhe comi a nêspera.
João
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7.22.2008

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Rip Hopkins
Born 01/01/72, Sheffield, England
Member of Agence VU, Paris, since 1996
Represented by Galerie Le Réverbère in Lyon and Lt2 agency in Paris
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"I do not want to be the leader. I refuse to be the leader. I want to live darkly and richly in my femaleness. I want a man lying over me, always over me. His will, his pleasure, his desire, his life, his work, his sexuality the touchstone, the command, my pivot. I don’t mind working, holding my ground intellectually, artistically; but as a woman, oh, God, as a woman I want to be dominated. I don’t mind being told to stand on my own feet, not to cling, be all that I am capable of doing, but I am going to be pursued, fucked, possessed by the will of a male at his time, his bidding."
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Anais Nin
(Angela Anaïs Juana Antolina Rosa Edelmira Nin y Culmell)
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7.15.2008

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OLAF ERWIN
(Hope The Hallway)

("BORN IN HILVERSUM IN THE NETHERLANDS IN 1959, ERWIN OLAF HAS LIVED IN AMSTERDAM SINCE THE EARLY 1980S, WHERE HE CURRENTLY WORKS FROM HIS STUDIO IN A FORMER CHURCH HALL.
MIXING PHOTO-JOURNALISM WITH STUDIO PHOTOGRAPHY, OLAF EMERGED ON THE INTERNATIONAL SCENE IN 1988 WHEN HIS HIGH-IMPACT 'CHESSMEN' SERIES WAS AWARDED FIRST PRIZE IN THE YOUNG EUROPEAN PHOTOGRAPHER COMPETITION"
- tirado da sua biografia)
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But all art is sensual and poetry particularly so.
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It is directly, that is, of the senses, and since
the senses do not exist without an object for their employment
all art is necessarily objective.
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It doesn't declaim or explain, it presents.
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William Carlos Williams
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(1883-1963)
American Poet, Novelist

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7.08.2008

Eugenio Recuenco
(fotógrafo de moda espanhol)



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Apelo da amada
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Ela.
Que entre o meu amado em seu jardim
para comer dos frutos deliciosos!

Ele.
Já vou ao meu jardim, minha irmã
e minha noiva,
colher mirra e bálsamo,
comer do favo de mel,
beber vinho e leite.
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( O livro de Cantares,
também chamado de Cântico dos Cânticos,
Cântico Superlativo,
ou Cântico de Salomão,
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7.03.2008

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Quando o João trouxe para cá o avô e me disse para tratar dele eu ia-me passando. Já trabalhava que me fartava e aquele gajo parecia nem perceber. Mas disfarcei e disse que sim.
O velho era um pivete da cabeça aos pés e era quase insuportável estar ao pé dele. Tentei que tomasse banho mas só ao fim de quase duas semanas é que se resolveu:
-Está bem Fininha, tomo banho se fores tu a dar-mo.
-Mas você não tem vergonha de se pôr em pelota ao pé de mim?
-Porquê, tu tens vergonha de me ver?
Pus a água a correr e ajudei-o a despir e a meter na banheira. Comecei a esfregá-lo e a água ficou escura.
-Bem, Sr. Orlando tenho que lavar-lhe a barba e o cabelo mas esta água está um nojo. Vamos lá despejar isto e ponha-se em pé que agora vai de duche.


Quando se levantou, rosadinho como um bébé por causa da água quente, disse-me

-Ó Fininha, se tu quisesses... ,.. e, puxou-me a mão.

Olhei-lhe para o coiso. Era enorme e preto e mais flácido e engelhado que uma camisa de vénus acabada de usar.

Mandei-o pôr de joelhos na banheira para poder lavar-lhe a cabeça. Enchi-lha de shampô e esfreguei. Apesar de cheia de espuma, dava para ver que a água saía cinzenta. Limpei-o todo com o toalhão e, estranhamente, senti-me excitada quando lhe enxuguei aquela enorme pendureza que, depois do banho quente, parecia menos enrugada.

Disse-lhe que fosse para o quarto e deve ter adormecido pois só de lá saiu quando o chamei para jantar.

Mais tarde, quando me deitei, tive dificuldade em pegar no sono.

Alice


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6.30.2008

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(Erwin Olaf
Le Dernier Cri (detail) 2006)
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A sensual and intemperate youth
translates into
an old worn-out body.
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(Marcus T. Cicero
c. 106-43 BC,
Great Roman Orator, Politician )
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6.27.2008

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..

o brasileiro continua a vir cá duas vezes por semana e lá brincamos às casinhas. no outro dia chegou com uma grande caixa e, com um enorme sorriso, disse-me:
-joão, trago-lhe aqui uma surpresa. sei que vai gostar, abra. ... era uma pista de automóveis e estivemos naquilo até às duas da noite. só se foi embora quando eu, que estava sentado no chão mesmo ao pé da curva, apanhei com um carro que se despistou e veio com toda a força bater-me nos tomates. levantou-se e disse:
-joão, gostava que amanhã fosse comigo a um encontro swing.
..-mas isso não é para troca de casais? perguntei.
-sim, o joão leva a loulou e eu levo uma amiga minha.


não lhe disse que não, que o dinheirinho anda a escorrer e quanto mais melhor. ele levou uma cota que disse ter cinquentas mas já ia de certeza nos sessenta e muitos. ou mais.

éramos sete pares. podia ser um encontro swing mas dançou-se foi o tango. e bebeu-se. demais.

ninguém pegou na velha e quando de manhã acordei estava deitado ao lado dela que ressonava que nem uma locomotiva antiga. eu tinha bebido tanto que nem sei como é que a coisa correu, se correu bem, se correu mal, ou se nem correu...

mas deve ter corrido bem. o brasileiro trouxe-me um bilhete dela a convidar-me para ir amanhã visitá-la a casa.

joão


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6.25.2008

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JEANNE lORIOZ

[Born in France in 1954]
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billet

Apprenez ma belle,

qu’à minuit sonnant,

Une main fidèle,

Une main d’amant
Ira doucement,
Se glissant dans l’ombre,
Tourner les verrous
Qui dès la nuit sombre
Sont tirés sur vous.
.
Apprenez encore
Qu’un amant abhorre
Tout voile jaloux.
Pour être plus tendre,
Soyez sans atours,
Et songez à prendre
L’habit des amours.





Evariste de PARNY
(1753-1814)


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6.23.2008

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'Sleeper'
Colette Calascione
(nasceu em 1971.
Obteve a B.F.A. no San Francisco Art Institute)

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" ... more grateful for what I had learned
and experienced
through June and Summer.
.
Whilst I had remained seated in my
love throne
they helped lay the woman prostrate on the bench, ... "
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-Aphrodite Overboard-
The Erotic Memories of a Vitorian Lady
Excerto da Pagina 104:
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6.17.2008

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o grande sonho da minha avó sempre foi poder sair do bairro da lata e ir viver numa casa a sério. durante quase trinta anos ouviu as promessas dos vários presidentes da junta e da câmara, mas nada. desgraçada, morreu há quatro dias com oitenta e dois anos sem ver realizado o seu maior desejo.

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o velhote ficou só e já vai a caminho dos oitenta e seis. tentei convencê-lo a cortar aquela barba que lhe vai quase até ao peito mas .disse-me .que não:. -a tua avó gostava. ... não se conforma com a morte dela. resolvi trazê-lo cá para o cortiço, que em minha casa iria ser complicado deixá-lo sozinho todo o dia. aqui a Alice pode tratar dele, pois para ir com os clientes não me parece que ela seja grande espingarda mas, para tratar da casa e ter tudo limpo, que tem sido a tarefa dela, até se safa muito bem.


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este prédio é muito antigo e, sendo a despensa da casa muito grande, consegui lá meter a cama de ferro que trouxe da barraca e que é de corpo e meio e ali ele fica porreirinho. pedi à Alice que cuide dele para que nada lhe falte e ela aceitou de muito boa vontade. coitadito, não acredito que dure muito tempo e aqui sempre será bem tratado enquanto não bate as colheres.

..

joão .

6.11.2008


A Dream Half Remembered
Ken Rosenthal

(Toned Gelatin-Silver Print)


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Por que és tão breve?
Não amas mais, como outrora,
“O canto? Quando jovem, não chegavas,
“Nos dias de esperança,“
Nunca ao fim, quando cantavas!”
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Tal qual minha sorte é meu canto.
– Queres ao arrebol
Banhar-te alegremente?
Foi-se! E a terra está fria
E o pássaro da noite esvoaça
incomodamente aos olhos teus.
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Johann Christian Friedrich Hölderlin

(1770 -1843)

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6.05.2008

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Jeanne Lorioz
[Born in France in 1954]


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The body of a sensualist is the coffin of a dead soul.
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Christian Nevell Bovee
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American Author, Lawyer
- 1820-1904 -
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5.30.2008

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Graças a Deus ando melhor. Graças a Deus e graças ao João que foi impecável comigo. Eu estava mesmo em baixo e ele aceitou-me cá, com comida, cama e roupa lavada. Bem, quem cozinha e lava a roupa sou eu mas, de qualquer maneira, a despesa é toda por conta dele. Sim que ainda não comecei a ir com os clientes, a dar o corpinho ao manifesto. Nem quero pensar nisso, mas, mais dia menos dia vai ter que ser.
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Ele continua a tratar-me por Fininha, apesar de eu já ter engordado quatro quilitos ao fim de só três meses. Sim, foi já há três meses que ele me aceitou cá, a pedido do meu irmão. Meu querido irmão o que ele tem sofrido nos últimos tempos. Até escrevi uns versos dedicados a ele e ao soldado seu amigo que morreu. Sim, que eu não sou como as lambisgóias da Loulou e da Nini que leem muito mas coitadas, nem duas palavrinhas sabem alinhavar. Quando lhe ofereci os versos que escrevi numa bonita folha azulinha dum bloco que comprei numa loja dos trezentos, ele chorou tanto, o pobrezito. O desgosto era muito recente. Os versos eram assim:
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.. .
.................sobre a pedra fria
....da campa,
....chorando,
...............ele está sentado.


.. outrora,
..foi feliz,
.......quando era
.....namorado
.......do soldado.
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............................e assinei: . Alice

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Como veem a sensibilidade vem cá de dentro de nós, não é por se ler muito que a temos. Eu nasci
num bairro da lata, tal qual como o João, e nunca aprendi mais que o segundo ano mas felizmente sou sensível, não sou como aquelas duas lambisgóias que andam sempre a chamar-me pirosa e a troçarem de mim porque tenho uma boneca.


Bem agora tenho que ir acabar o jantar que os fregueses daqui a bocado começam a chegar e elas têm que comer antes de ir para a sala.








5.25.2008

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Peter Paul Rubens
- pintor flamengo inserido no contexto do Barroco -
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(Siegen, 28 de Junho de 1577 — Antuérpia, 30 de Maio de 1640)

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"Vénus ao Espelho "
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"Mientras por competir com tu cabello..."
(Trad. de Delson Tarlé)
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Enquanto, a competir com teu cabelo,
o ouro brunido ao Sol reluz em vão
e, pálido de inveja, quedo ao chão,
perde-se a contemplar-se o lírio belo,
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e o rubro de teus lábios deixa em zelo
mais olhos do que o cravo temporão,
e o colo altivo traz um ar loução
como o cristal luzente aspira tê-lo;
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goza lábios, cabelo, colo albente,
antes que tudo, em tua idade alada
- ouro, lírio, cristal, cravo rubente -
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não só se acabe em prata e flor crestada,
mas tu e a tua vida, juntamente,
em terra, em fumo, em pó, em sombra, em nada
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Luís de Góngora y Argote
1561 - 1627 -
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Poeta espanhol nascido em Córdoba.
Originário de uma família nobre, dotado de importantes privilégios eclesiásticos
que lhe permitiram consagrar-se à literatura. Foi ordenado padre aos 56 anos para se tornar capelão do rei Filipe III.
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( doeu-me ler este poema, numa altura que o meu cabelo
cai
desalmadamente! Ui ! )
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5.22.2008

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Diane Airbus

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Diane Airbus Was an American photographer, noted for her portraits of people on the fringes of society, such as transvestites, dwarfs, giants, prostitutes, and ordinary citizens in unconventional poses and settings.

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If SENSUALITY were happiness,

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beasts were happier than men;

but human felicity is lodged in the soul,

not in the flesh.

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Seneca
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(Lucius Annaeus Seneca (Córdova, 4 a.C.Roma, 65 d.C.), melhor conhecido como Séneca (ou Sêneca), o moço, o filósofo, ou ainda, Séneca o jovem. A obra literária e filosófica de Sêneca, tido como modelo do pensador estóico durante o Renascimento, inspirou o desenvolvimento da tragédia na Europa.).
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5.18.2008

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a mãe e o padrasto da loulou arranjaram, vai para seis anos, emprego num restaurante no algarve. ela cozinheira e ele criado de mesa. ele extremamente religioso todos os anos metia umas mini-férias em maio para ir a fátima em cumprimento de uma promessa. ela nada dada a acreditar em milagres, não tinha outro remédio se não acompanhá-lo, pois uma vez recusou e levou um enxerto tal que ficou a pão e laranjas. que ele nunca foi de brincadeiras e, volta e meia, por dá cá aquela palha, lá a deixava cheia de mazelas.
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este mês lá foram e parece que a mulher terá feito a sua prece: - senhora, se me livrares do gajo dedico-me a ti de alma e coração. acontece que quando iam a penantes estrada fora, um filho da puta qualquer foi desencabrestado com o carro para cima do homem e matou-o.
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a mulher agora diz que a senhora ouviu o seu pedido. mas, como está livre, já percebi, quer gozar a sua nova independência e não me parece que esteja disposta a cumprir o prometido...


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joão

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5.11.2008

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Patricia Jo Peacock
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(birds
48"x48"
oil, mm, canvas)
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Tu Fénix, tu do amor doce traslado,
Companheiro em meus males peregrino,
Pois se em fogo te acaba o teu destino,
Em chamas me atormenta o meu cuidado
Tu te podes queixar de um triste fado,
Eu me queixarei de um deos mínimo,
Pois tu por desgraçado, e eu por fino
Acabas encendido, eu abrasado.
Mas oh, que as tuas ânsias são pequenas
À vista do martírio, em que discorro,
Porque renasces em morrendo apenas;
E servindo-te as penas de socorro.
Tu renasces do fogo em tendo penas,
Eu porque muito peno, em chamas morro.
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Francisco de Vasconcelos Coutinho
- 1729 -
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(Fénix Renascida III)
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5.07.2008

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Patricia Jo Peacock
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(family of birds
40"x30"
oil, mm, canvas)
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PHOEN-IX


Fenix Arabie avis dicta quod colorem feniceum\ habeat, vel quod sit in toto orbe singularis et\ unica. Hec quingentos ultra annos vivens, dum\ se viderit senuisse, collectis aromatum virgultis, ro\ gum sibi instruit, et conversa ad radium solis alarum\ plausu voluntarium sibi incendium nutrit, seque urit.\


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- folio 56r -


( séc XII)


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5.02.2008

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a nini piorou da coluna e por vezes as dores apanham-lhe as pernas e quase não pode andar. começou a fazer fisioterapia e tão depressa não deve poder trabalhar. mas o brasileiro não gosta das outras e diz que paga o dobro do que tem pago se eu não me importar de brincar com ele. fiquei entre a espada e a parede: com aquela gaja doente a facturação vai descer, mas, se eu aceitar, o dinheiro é todo cá pró rapaz. assim, concordei mas com uma condição: ele comprava um combóio eléctrico para montarmos à volta da casa das bonecas.

por momentos olhou para mim embasbacado. olhou-me nos olhos, pestanejou e disse quase num sussurro:.-está bem, mas vai o senhor joão comprar o combóio que eu não tenho tempo. deu-,,,-me a grana e eu não disse nada mas até tremi, aquilo além de dar para o combóio devia dar também para uma estação do tamanho da do rossio.

ficou combinado que amanhã está cá, como é costume, às oito da noite.





joão

4.24.2008

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CHRIS VAN ALLSBURG

(nasceu no Michigan a 18 de Junho de 1949)
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Some kill their love when they are young,
And some when they are old;
Some strangle with the hands of Lust,
Some with the hands of Gold:
The kindest use a knife, because
The dead so soon grow cold.

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Some sell, and others buy;
Some do the deed with many tears,
And some without a sigh:
For each man kills the thing
he loves,
Yet each man does not die.

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(extracto)

" The Ballad Of Reading Gaol "
.
Oscar Wilde

(1854 - 1900)
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4.17.2008

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ange venitien

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Jeanne Lorioz
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J’ai toujours été étonné qu’on laissât les femmes entrer dans les églises. Quelle conversation peuvent-elles avoir avec Dieu ?

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Mon coeur mis à nu : journal intime
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(1868)
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Charles Baudelaire

4.10.2008

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a nini anda toda contente.. vai para duas semanas apareceu aí um brasileiro todo bem arreado..ar fino, acho que foi o primeiro brasileiro que eu vi com ar fino, bonito, de bigode e muito moreno. grande cabedal, via-se que praticava desporto. tipo machão..fez-me lembrar um qualquer artista de cinema.
o pessoal estava na sala. .foi num daqueles três dias de calor que houve no princípio deste mês e a casa estava às moscas, clientes nem vê-los, parecia que o calor tinha amolecido as mocas.
ele olhou a loulou sem mostrar interesse, franziu o nariz e levantou a sobrancelha quando olhou a esperançada da alice, coitada.. fez sinal à nini. entraram no cortiço e passados vinte ou vinte e cinco minutos sairam.
no dia seguinte a nini apareceu aqui com um bonito embrulho, bastante grande, e pensei:
-lá foi aquela gaja gastar mais dinheiro em roupas. era o dia da folga dela, que eu não exploro ninguém e uma vez por semana elas folgam à vez. .fechou-se no quarto. .passadas umas duas horas veio ter comigo, toda suada e disse: -ó joão vem aqui dar-me uma ajuda, faz favor.. entrei no quarto e, no meio do chão estava uma casa de bonecas meio armada. -olha, disse ela, não consigo encaixar esta parede de maneira a aparafusar as dobradiças.. lá lhe acabei de montar a casa e perguntei:
-é prá tua sobrinha? deve ter sido cara.
-foi cara foi.. duzentos euros.. mas não é para a miúda, é para o brasileiro, foi ele que comprou.
era uma quarta feira e na sexta a seguir ele cá estava caído.. daí para cá, vem todas as segundas, quartas e sextas.. ficam no quarto durante horas. sentam-se no chão e brincam às casinhas.
por mim está porreiro: o gajo arrota ali com o dinheirinho à grande e à francesa.. cá para a casa é baril, que estou a facturar como nunca pensei.. e ela anda contente, a ganhar do bom sem ter que abanar o trazeiro.. mas, já anda a queixar-se, diz que por estar assim, tanto tempo sentada no chão, lhe anda a doer a coluna.


joão


4.05.2008

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- Elisa aux nèches -
(Mariano Otero)
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PARFUM EXOTIQUE (XXI)
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Quand, les deux yeux fermés, en un soir chaud d'automne,
Je respire l'odeur de ton sein chaleureux,
Je vois se dérouler des rivages heureux
Qu'éblouissent les feux d'un soleil monotone :
.
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Une île paresseuse où la nature donne
Des arbres singuliers et des fruits savoureux ;
Des hommes dont le corps est mince et vigoureux,
Et des femmes dont l'œil par sa franchise étonne.
.
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Guidé par ton odeur vers de charmants climats,
Je vois un port rempli de voiles et de mâts
Encor tout fatigués par la vague marine,

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Pendant que le parfum des verts tamariniers,
Qui circule dans l'air et m'enfle la narine,
Se mêle dans mon âme au chant des mariniers.
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Charles Baudelaire
.
(9 de Abril 1821 / 31 de Agosto de 1867)
.
.
(Les Fleurs du Mal
.
- 1a. edição em 1857 -
editor: Poulet-Malassis)
.
.
-
.

3.29.2008

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ROMAN ZASLONOV
.
(Nasceu em 1962, estudou na Academia de Belas Artes de Minsk)
,
.
' Theatre Venitien '
.
.
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Nothing is more repulsive than a furtively prurient
spirituality;
.

it is just as unsavory as gross

SENSUALITY.

.

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Carl Jung

.
1875-1961
(Swiss Psychiatrist)
.
.
.

3.18.2008

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a alice, a fininha, veio ter comigo na semana passada e disse-me:
- senhor joão, queria pedir-lhe um favor...
fiquei à espera e ela hesitou mas passados segundos continuou:
- sabe, gostava muito de ir ver uma peça de teatro que está aí...mas como ainda não comecei a trabalhar, se o senhor joão me adiantasse o dinheiro do bilhete que eu depois pago...
estou fodido, pensei, outra intelectual!
- e sabe, continuou ela, se o senhor quisesse ia comigo, que eu não me dá jeito ir a estes sítios sozinha. sabe, diz que a peça é muito gira chama-..-se as vampiras lésbicas.
nessa altura dei um peido, tenho andado com gases, acho que é por causa da quantidade de amendoas de chocolate que as outras duas gajas me deram.
- a peça chama-se o quê?!
- as vampiras lésbicas, senhor joão.
ninguém na vida me tratou, nunca, por senhor joão, mas esta gaja começou e, já agora, continua assim que é para ver se não apanha muita cunfia.

fiquei um bocado de pé atrás por ela querer ir ver uma merda com aquele nome, mas ao mesmo tempo fiquei curioso e na terça-feira fui comprar os bilhetes: só havia espectáculo no domingo e apanhei os dois únicos que ainda estavam à venda. a garina da bilheteira disse-me, olhe só há dois mas não são juntos, um é na fila c e o outro na d, mas perto um do outro. comprei e fomos.

ela ficou sentada mesmo quase à minha frente e eu pude, enquanto a peça não começou, observar que ela mirava as garinas que por lá estavam. algumas de garina já nada tinham, quarentas e cinquentas e, e, upa, upa...

a peça até teve piada e ri-me um bocado. peidei- ..-me foi muito, mas com toda a gente a rir nem se ouvia.
mas fiquei de pé atrás com ela, querer ir ver uma coisa com aquele título, faz-me cá pensar. qu'eu cá não sou de preconceitos, e, se vir que o negócio começa a correr mal, olha, até posso desdobrá-lo noutra direção.



joão


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3.10.2008

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(1876 –1957)
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Princesse X
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A monogamia

é como estar obrigado a

comer batatas fritas

todos os dias.
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Henry Miller
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(1891 / 1980)
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3.06.2008

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'le serpent'
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Jeanne Lorioz
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O muse de mon cœur, amante des palais,
Auras-tu quand Janvier lâchera ses Borées,
Durant les noirs ennuis des neigeuses soirées,
Un tison pour chauffer tes deux pieds violets ?
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Ranimeras-tu donc tes épaules marbrées
Aux nocturnes rayons qui percent les volets ?
Sentant ta bourse à sec autant que ton palais,
Récolteras-tu l'or des voûtes azurées ?
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Il te faut, pour gagner ton pain de chaque soir,
Comme un enfant de chœur, jouer de l'encensoir,
Chanter des Te Deum auxquels tu ne crois guères,
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Ou, saltimbanque à jeun, étaler tes appas
Et ton rire trempé de pleurs qu'on ne voit pas,
Pour faire épanouir la rate du vulgaire.
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VIII LA MUSE VÉNALE
Les Fleurs du mal
Charles Baudelaire
(1821-1867)

3.01.2008

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Tive pena e acabei por meter cá a magrinha. Chama-se Alice e pendurou uma imagem por cima da cama. Era só o que me faltava.
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João



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2.28.2008

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"secret"

Braslins

nasceu em 1962

na Lituânia.

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Love is an alliance of friendship and animalism;
if the former predominates it is passion exalted and refined;
if the latter, gross and sensual.
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Charles Caleb Colton
1780-1832,
(British Sportsman Writer)
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Valery Skrypka

"dream"
2006. Oil on Belgian linen
28" x 18"

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There is no self-delusion more fatal than that which makes the conscience dreamy with the anodyne of lofty sentiments, while the life is groveling and sensual.
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James Russell Lowell
1819-1891, American Poet, Critic, Editor

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2.23.2008

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a nini e a loulou, estão com avitaminose.

não sei o que elas comem.


fui às vendedeiras do mercado do bolhão.

procurei naranjas nelas.


só laranjas é que havia, vejam lá quem diria.


João



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2.20.2008

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Queixa das almas
jovens censuradas

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Dão-nos um lírio e um canivete
E uma alma para ir à escola
E um letreiro que promete
Raízes, hastes e corola.
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Dão-nos um mapa imaginário
Que tem a forma duma cidade
Mais um relógio e um calendário
Onde não vem a nossa idade.
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Dão-nos a honra de manequim
Para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos o prémio de ser assim
Sem pecado e sem inocência.
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Dão-nos um barco e um chapéu
Para tirarmos o retrato.
Dão-nos bilhetes para o céu
Levado à cena num teatro.
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Penteiam-nos os crânios ermos
Com as cabeleiras dos avós
Para jamais nos parecermos
Connosco quando estamos sós.
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Dão-nos um bolo que é a história
Da nossa história sem enredo
E não nos soa na memória
Outra palavra para o medo.
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Temos fantasmas tão educados
Que adormecemos no seu ombro
Sonos vazios, despovoados
De personagens do assombro.
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Dão-nos a capa do evangelho
E um pacote de tabaco.
Dão-nos um pente e um espelho
Para pentearmos um macaco.
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Dão-nos um cravo preso à cabeça
E uma cabeça presa à cintura
Para que o corpo não pareça
A forma da alma que o procura.

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Dão-nos um esquife feito de ferro
Com embutidos de diamante
Para organizar já o enterro
Do nosso corpo mais adiante.

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Dão-nos um nome e um jornal,
Um avião e um violino.
Mas não nos dão o animal
Que espeta os cornos no destino.

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Dão-nos marujos de papelão
Com carimbo no passaporte.
Por isso a nossa dimensão
Não é a vida. Nem é a morte.
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Natália Correia
Poesia Completa
Publicações Dom Quixote
1999

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Rip Hopkins [nasceu em 1972]




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"Amo a tua vivacidade,
os teus preparativos para voar,
as tuas pernas como um vicio,
o calor entre as tuas pernas.
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Sim, Anaïs, quero desmascarar-te.
Sou demasiado galante contigo.
Quero olhar para ti longamente e com ardor,
arrancar-te o vestido,
apalpar-te,
examinar-te.
Sabes que ainda mal olhei para ti?
Há ainda demasiada santidade presa a ti.
Não sei como te dizer o que sinto.
Vivo numa expectativa perpétua.
Tu vens e o tempo desliza num sonho.
É só quando te vais embora
que me apercebo completamente da tua presença.
E depois é demasiadamente tarde."
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[in Henry e June - Do Diário Intimo de Anaïs Nin (Pag. 77)]
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2.19.2008

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Jeanne Lorioz [Born in France in 1954]

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"Quanto ao facto de saber se o sexual e o religioso são antagónicos e opostos, eu responderia do seguinte modo: todos os elementos ou aspectos da vida, por muito pobres, por muito duvidosos que sejam (para nós), são susceptíveis de conversão, e na verdade devem ser transpostos para outro nível, de acordo com a nossa maturidade e inteligência.O esforço visando eliminar os aspectos «repugnantes» da existência, que é a obsessão dos moralistas, não só é absurdo, como fútil. É possível ser-se bem sucedido na repressão dos pensamentos e desejos, dos impulsos e tendências feios e «pecaminosos». mas os resultados são manifestamente desastrosos. (É estreita a margem que separa um santo e um criminoso). Viver plenamente os seus desejos e, ao fazê-lo, modificar subtilmente a natureza destes, é o objectivo de todo o indivíduo que aspira a desenvolver-se. Mas o desejo é soberano e inextirpável, mesmo quando, como dizem os budistas, se converte no seu contrário. Para alguém se poder libertar do desejo, tem que desejar fazê-lo. . "
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Henry Miller,
(
26 de dezembro de 1891, Nova Iorque, EUA7 de junho de 1980, Pacific Palisades, Califórnia, EUA),
in "O Mundo do Sexo"

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2.18.2008

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estou farto. estou farto destas gajas que têm a mania que são cultas e intelectuais. grande cultura, ir à internet à procura de merdas de que falam durante um dia ou dois, mas que depois esquecem.
e têm medo das palavras !? as palavras servem só para transmitir pensamentos, ideias. elas deviam ter medo, isso sim, das ideias e pensamentos que têm. estúpidas de merda. se são assim tão boas e cultas para que estão a trabalhar aqui? nasci num bairro de lata. não gostam da maneira como falo? dêem de frosques. tenho muito quem queira vir para cá. e com nomes de gente. qual ninis e loulous! levem os computadores que têm nos quartos, não preciso daquelas tretas para nada. não é disso que a clientela vem à procura. a clientela que, diga-se de passagem, também deixa muito a desejar. armam todos ao fino mas, quando estam cá no ambiente são ainda mais ordinários, boçais como diz a intelectual da nini, mais ordinários ainda do que eu.


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apareceu-me aí um com uma esgroviada, um autêntico palitinho de tirar a merda dos dentes, que quer que eu a ponha cá a trabalhar. bem tinha eu que alimentá-la durante uns meses até ela estar em condições de dar a primeira queca.


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outro, também, de gravatinha e todo à maneira, convidou-me para jantar e apresentou-me uma autêntica orca "para eu me lembrar dela quando quisesse meter pessoal". porra, as camas que comprei cá para os quartos são daquelas mais baratas que se vendem agora naquelas grandes firmas estrangeiras, alguma vez aguentavam com um corpanzil daqueles!
mal por mal antes a escanzelada. de qualquer maneira estas duas, pelo menos, pouco falam e não armam ao intelectual. mas, a verdade é que tenho que começar a pensar em pôr as outras na rua, antes que elas me ponham a mim, pois tenho-as ouvido andar a bichanar, olhando de esguelha quando me aproximo. más influências que vêm de fora


joão.
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2.16.2008

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Jeanne Lorioz [Born in France in 1954].
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The spiritualization of SENSUALITY is called love :
it is a great triumph over Christianity.

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Friedrich Nietzsche
1844-1900,
German Philosopher

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2.15.2008

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(Benedita Kendall - Nasceu no Porto em 1971)
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DESESPOIR
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The seasons send their ruin as they go,
For in the spring the narciss shows its head
Nor withers till the rose has flamed to red,
And in the autumn purple violets blow,
And the slim crocus stirs the winter snow;
Wherefore yon leafless trees will bloom again
And this grey land grow green with summer rain
And send up cowslips for some boy to mow.
But what of life whose bitter hungry sea
Flows at our heels, and gloom of sunless night
Covers the days which never more return?
Ambition, love and all the thoughts th